domingo, 10 de fevereiro de 2013

ANGOLA - A EMPRESA ANGOLANA COCHAN E A SUÍÇA TRAFIGURA INVESTIGADAS NA SUÍÇA POR ALEGADO ENVOLVIMENTO AS DUAS EMPRESAS EM ATOS ILÍCITOS DE CORRUPÇÃO INTERNACIONAL. NO POLO DO ESCÂNDALO ESTA NOVAMENTE A EQUIPE MILITAR DA CASA DE SEGURANÇA MILITAR DO PRESIDENTE DA REPUBLICA. O MAIS VISADO NESSA NOVA DENUNCIA DE CORRUPÇÃO É O GENERAL LEOPOLDINO FRAGOSO DO NASCIMENTO (DINO) CONSELHEIRO DA CASA DE SEGURANÇA MILITAR DO PRESIDENTE JES. É DE NOTAR QUE O DIRETOR DA EMPRESA COCHAN É O MESMO CONSELHEIRO DA CASA DE SEGURANÇA MILITAR O GENERAL CONHECIDO COMO DINO, TAMBÉM SE SABE AGORA QUE O ENDEREÇO OFICIAL DA EMPRESA INVESTIGADA A COCHAN E A TRAFIGURA É O MESMO ENDEREÇO DE OUTRAS QUARENTA EMPRESAS LIGADA AOS GENERAIS DO REGIME.

ONG suíça questiona negócios da Trafigura em Angola

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Notícias - Sociedade
sede17A organização não governamental Berne Declaration publicou um relatório sobre as atividades da multinacional suíça Trafigura no setor petrolífero angolano, no qual discute os limites entre interesses públicos e privados.
Após denúncias feitas em janeiro passado no blog Maka Angola, do ativista angolano Rafael Marques, os negócios da empresa suíça Trafigura são mais uma vez alvo de questionamentos. Desta vez, Angola chamou a atenção da Berne Declaration, que trabalha em prol de relações norte-sul justas. “Angola viveu um enorme crescimento na última década, mas em termos de desenvolvimento humano, não houve progresso algum. A pobreza ainda é muito elevada e acreditamos que a corrupção contribua muito para isso”, explica o investigador Marc Guéniat.
A ONG suíça investigou as atividades da multinacional suíça Trafigura em Angola. A empresa entrou no mercado angolano ao associar-se a parceiros locais ligados ao governo, lê-se num relatório da Berne Declaration, publicado no início deste mês. A Trafigura aproximou-se do general angolano Leopoldino Fragoso do Nascimento, mais conhecido como “Dino”, que é diretor da empresa Cochan, parceira da Trafigura. “Esse general é um conselheiro sénior da presidência. Ele é extremamente próximo do presidente José Eduardo dos Santos. E é muito difícil acreditar que tenha atuado sem o consentimento do próprio presidente”, conta o investigador da ONG.
O general assumiu a diretoria da Cochan em 2010. Na época, ainda era chefe de comunicações da presidência. Guéniat questiona se Dino atua como oficial sénior, pelo bem de Angola, ou como investidor privado. O oficial também está a ser investigado em Portugal e nos Estados Unidos pela participação outros negócios, segundo o investigador.
Privatização do poder” em Angola
“O caso da Trafigura em Angola é apenas mais um mostrando a 'privatização do poder'”, refere o pesquisador, citando um termo usado por Ricardo Soares de Oliveira, professor da Universidade de Oxford e especialista em Angola.
A parceria entre a Trafigura e a Cochan deu origem ao grupo DTS Holdings, com base em Singapura. O grupo opera um contrato de permuta. A Trafigura recebe petróleo bruto de Angola e, em troca, devolve derivados de petróleo para o consumo doméstico angolano. “Para a Trafigura é um contrato enorme. São 3,3 mil milhões de dólares só para a permuta. E o volume de negócios da empresa foi de mais de 6 mil milhões de dólares no ano passado. Para os oficias seniores é uma maneira de controlar o negócio e, é claro, de enriquecer”, afirma Guéniat.
Em Angola, uma subsidiária da suíça Trafigura, a Puma Energy, também é parceira da Cochan. A parceria deu origem a empresa Pumangol. O endereço da Cochan em Angola é o mesmo que o de outras 40 empresas pertencentes a um trio de oficiais, entre os quais o general Dino.
“Quem quiser fazer negócios em Angola, tem de estabelecer parcerias com oficiais seniores. E esses oficiais enriquecem cada vez mais. E eles não repassam esse dinheiro para o povo angolano”, critica o investigador.
Mais regulação, menos corrupção
Para Marc Guéniat, é necessário mais regulação e transparência para reduzir a corrupção no país. Após investigar os negócios da Trafigura em Angola, a Berne Declaration entrou em contato com a empresa. “Enviamos-lhes uma lista de 12 perguntas e demos-lhes 24 horas. Ele ligaram-nos e disseram que não queriam responder às nossas perguntas”, conta.
A DW África também tentou contatar a Trafigura, que disse não ter nenhuma declaração a fazer sobre o relatório.
Autora: Luisa Frey
Edição: Madalena Sampaio/António Rocha
DW

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