sábado, 5 de janeiro de 2013

A OPOSIÇÃO QUE ESTAMOS COM ELA Fonte planaltodemalangeriocapopa.blogspot.com


A OPOSIÇÃO QUE ESTAMOS COM ELA!
O PODER PERTENCE AO POVO E DEVE MANTER-SE COM O POVO
Angola e os angolanos acabam de passar por mais um ano sem que um quantificador ou qualificador e ou mesmo um medidor que favorecesse as oposições no posicionamento central da politica doméstica nacional que trouxesse um novo denominador face às necessidades que o país politico necessita para colmatar as preocupações vivenciadas pelo povo nestes 12 meses que se sucederam. Acabamos agora de entrar num recesso obrigatório de final e de começo de ano simultaneamente. Porem a qualidade das nossas oposições não se tornaram maiores nem em quantificação nem qualitativamente no seu modo peculiar de atuação. Igualmente não cresceram as suas ações nem elas se a aperfeiçoaram a programática forma dos programas que viabilizam a luta pela defesa da integridade das populações mais necessitada do povo angolano. Estou certo e sem medo algum de errar em afirmar que as oposições com acento parlamentar e, sobretudo essa oposição, não teve uma maior afirmação de maturidade nem de crescimento que a delegasse junto do povo um credenciamento salutar de confiança entre o império oposicionista e o povo carente de liberdade.
Angola que ao longo dos tempos produzira homens de dimensões relevantes de elevados padrões morais e de coragem extrema que dificilmente se encontrariam em outros povos mundialmente conhecidos excetuando-se é claro o mais velho de todos nós, o nosso africano do sul Nelson Mandela. Mas diga-se em abono da verdade, que tivemos homens que nos transportaram por caminhos de acessos nefastos levando-nos a vitórias deslumbrantes ao desbravarem viveiros de fortalezas perigosas e imbatíveis aos olhos dos mortais e colocaram os nossos ideais independentistas no marco contemporâneo das lutas pelas independências nacionais.
 Como podemos hoje respeitar as memorias permanentemente ultrajadas pelas nossas irrisórias oposições parlamentares chamadas credíveis? Como enaltecermos a memória de homens desbravadores que nos legaram trazer a independência de Angola como Holden Roberto, António Agostinho Neto, Jonas Malheiro Savimbi, dentre outros como Daniel Chipenda, Mflupinga Lando Victor Viriato da Cruz e N'zita Tiago dentre outros ilustres combatentes?
Não se entendem os momentos de fraqueza das nossas oposições cuja orientação combativa permanece silenciosa sem calendarizar uma plataforma de luta contra o império do mal gerido pelo ditador Eduardo Dos Santos. Como pode uma oposição ser tão vulnerável ao papel que se propôs levar avante como sacrifício vivo até as últimas consequências? Como essa oposição cobarde e sem ritmo descobrira os caminhos que devem trilhar para alavancar a motivação que a leve a abraçar com determinação e valentia a luta pela liberdade do povo que apologeticamente afirma querer defender até as ultimas consequências? Essa nossa imatura e despreparada e despeitada oposição tão desmerecida do povo por ser tão temerosa e desleal percebe-se nela o anelante aroma do desconforto que lhe é merecedora como irrefutável premiação de demérito de não vir a fazer parte da galeria dos heróis mortos, vivos e anônimos do povo nacional angolense.
Acreditamos encontrar nas nossas oposições evidências alarmantes que a dificultam libertar-se da oligarquia que governa o país, esse receio repousa no segredo intransponível que reside desconfortavelmente no seio das oposições e tresandam de um cheiro nauseabundo de medo; medo que lhe seja negado acesso às esmolas em dinheiro angolano para aprumo social e para sobrevivência dos seus membros aburguesados pelas regalias que o dinheiro pertencente à maioria do povo lhes traz e lhes permite a possibilidade de ter uma vida garbosa de confortos inconformáveis de desigualdades sociais incontornáveis entre os povos que compõem essas tão desarticuladas e vaidosas oposições parlamentares que teimam em querer fazer oposição de fato e gravata numa alusiva tentativa de ludibriar o povo com encantamentos mentirosos e de nenhuma nobreza de sérios e de verdadeiros sentimentos, numa terra eivada de desigualdades sociais e de miséria onde um povo sábio e destemido aguarda pelos seus arcaicos salvadores que por sua vez esses buscam calendarizadas submissões ao dinheiro que legalmente lhes pertence. Finalmente apercebemo-nos e verificamos o nosso povo só, perdido, sem rumo, sem norte e sem sul, submetido a torrenciais seviciais molestadoras por parte do poder doente e malvado, mas, com a abnegada aprovação das lideranças das oposições que se querem chamar-se vaidosamente de oposição parlamentar, qual Lucas n’gonda!
Não podemos esquecer que esse poder financeiro se tornou no maior aliado de JES ao facilitar-lhe aprisionar a valentia destemida das oposições parlamentares. Essa negligente oposição esta sob controlo de JES por ele JES, ter colocado toda oposição parlamentar sob cabresto, pois como todos sabemos o dinheiro amaldiçoado esta sob total controlo do ditador angolano, da sua família e dos afetos ao poder megalómano de JES! Não me vou alongar neste artigo com essa matéria, mas, prometo no seguimento trazer a debate essa questão que tanto atormentam as oposições que completamente se desqualificam do titulo de defensores dos direitos da maioria aprisionada pelo ditador JES em Angola.
Toda oposição com assento parlamentar traz o rabo preso ao mataco de JES que por sua vez os chantageia, por outro lado as oposições continuam sem uma saída para a sua real situação como oposição real, pois toda a oposição tem consciência de que é prisioneira dos dinheiros de todos os angolanos que se encontra nas mãos do ditador e do seu anacrônico regime. Isaías Samakuva, Abel Chivukuvukú e Eduardo Kuangana sabem que são os parceiros e os principais alicerces de sustentação do regime. A UNITA< A CASA-CE e o PRS e seus lideres são igualmente pessoas que tudo fazem para manutenção desse regime oligárquico de dimensões assustadoras e o legalizam nacional e internacionalmente perante as nações do mundo civilizado e perante o povo angolano ao fingirem participar da trama de que existe democracia parlamentar, legalidade politica e judicial no país do pai banana.
O ditador Eduardo Dos Santos sabe claramente que no dia em que as oposições despertarem do sono do tempo e resolverem enviar o seu veemente recado como cartão de visita e lhe tirarem sem hesitações o apoio curricular de oposição parlamentar legal, JES e o regime se encherão de medo e definitivamente quererão partilhar o país com todos nós ou então cairão em ruínas apodrecidas. As facilidades ou as dificuldades de rompimento dessa situação esta nas mãos das oposições que só devem entender imediatamente que chegara o momento de ajustar contas com o ditador JES e contra a sua família e entourage.
O povo sabe que podemos sair airosamente dessa periclitante situação que atravessamos desnecessariamente. O conflito esta eminente entre o povo e o poder, somente falta à clarificação autenticada das oposições. A pergunta que quer falar é: Até quando deveremos esperar que as oposições com assento parlamentar acorde e apoie o povo que quer libertar-se de 38 anos de pressão, roubo, sacanagem, miséria rancor, ódio, porrada se refilar, perseguições, sequestros, prisões arbitrarias, tortura assassinatos etc... Etc...  Etc?
O povo quer entender as oposições e perceber os problemas que estão na base das dificuldade das lideranças oposicionistas se firmarem na luta contra as politicas exclusivistas do regime de JES. Os angolanos são um povo que carece de orientação na condução para alcançar a sua incondicional liberdade como povo livre do crivo da ditadura que o aprisiona a mais 38 anos e a sua esperança esta em Deus e, em quem Deus escolhera para liderar e conduzir a sua luta contra os opressores angolanos. Entenda-se que uma oposição que se move com temor a Deus, que ama a Deus por um lado, e por outro lado uma oposição séria que ama e vivencia com total altruísmo o sentimento de amor pelo povo que jurara defender incondicionalmente, uma oposição com dimensão desses nobres sentimentos de verdade e amor não traí o seu povo e por isso não apostata.
A oposição angolana bastas vezes foi acusada de andar a reboque do ditador, enquanto a ditadura e o ditador mostram as ferramentas que utilizam com desprimor para amordaçar o povo e impedi-lo de se manifestar contra o poder instalado. As nossas oposições comportam-se em sentido contrario, Elas fazem um percurso precisamente ao contrario do que deviam de facto fazer.
As oposições angolanas continuam a sua triste caminhada negando-se assistir o povo nas suas reivindicações chamando as ações de manifestações publicas dos jovens de arruaceiras, deixando sem vergonha a responsabilidade de reivindicação aos jovens revolucionários! É de lamentar que o povo continue só e sem entender porque razão até hoje os partidos ditos da oposição UNITA, PRS, a coligação CASA-CE, BD e o PP não demonstraram ainda todas em conjunto a sua força adjudicadora que reclamassem unidas com total empenho os seus direitos de lutarem defesa de e para o povo. Até hoje ninguém nem mesmo as atuais oposições conhecem o real e verdadeiro valor da sua força reivindicadora. Afinal qual é o verdadeiro tamanho da nossa oposição? Que oposição temos em Angola se nunca fomos à rua mostrar a nossa força? Será que a oposição verdadeira, sendo a voz de um povo, ela deverá continuar coitadinha definhando dia a dia e manter-se caladinha como uma oposição medíocre e mentirosa sem norte e sem sul? Qual o resultado final das oposições se continuarem caladas como até aqui? Não estamos a pagar um preço muito alto? Não estará essa calada oposição ajudar JES e o seu MPLA a manterem-se no poder indefinidamente?
Angola não tem necessidade de abraçar esse tipo de lideranças oposicionistas cobardes e medrosas e ou interesseiras, que são apresentadas como melhor colocados no ranking dos melhores e mais bem calados lideres das oposições sérias do globo. As oposições querem enviar-nos sinais de que vivemos uma democracia inacabada e que eles a podem terminar, debalde de mentiroso profissional, por conseguinte eles sentem-se merecedores do titulo do melhor politico do ano ou mesmo politico (grilo) mais bem falante e calado simultaneamente. Afinal de nada serviu o povo ter elegido os Dr Isaías Samakuva da UNITA, Dr Abel Chivukuvukú da CASA-CE e o DR Eduardo Kuangana do PRS para liderarem as oposições em angola. Passados anos esses senhores continuam fielmente ligados aos seus medos e receios de se confrontarem contra o ditador e contra a ditadura por razões tão obscuras que somente eles mesmos conhecem as verdadeiras e tristes razões porque se escondem nos seus medos e receios.
Não se percebe legivelmente porque razão os lideres oposicionistas obstaculizam a prioridade em serem os verdadeiros heróis do povo angolano? E também não se entende, entretanto porque temem enviar sinais da insatisfação do povo aos seus compadres de regime juntando-se todos para evidenciarmos em Angola um novo ciclo de oposição anti regime.  Na verdade esses senhores comandantes de partidos nada fazem no sentido de demostrar a ditadura instalada um novo sentimento de prestação de serviço publico direcionado para a defesa dos interesses nacionais do povo angolano, dando a conhecer ao mundo que o poder pertence ao povo e deve manter-se com o povo.
Mesmo sabendo que o ditador chefe do regime todos os dias mostra o seu desprezo às elites das oposições desprestigiando-as completamente e até mesmo aprisionando as aos seus obscuros interesses enviando veemente todos os dias recados calcitrados de sentimentos fúteis de forças inusitadas insinuando a todo o momento as deleitosas oposições de quem manda é ele o ditador JES, sua família e a sua casa de segurança militar e ponto.
Raul Diniz                                  
planaltodemalangeriocapopa.blogstat.com
blogplanaltodemalangeriocapopa@gmail.com
                                                                                                             


MOÇAMBIQUE - O MOCAMBICANO ELÍSIO MOCAMO, PSEUDO INTELECTUAL AFETO A FRELIMO PARTIDO QUE GOVERNA MOÇAMBIQUE A MAIS DE TRINTA E OITO ANOS PROPAGANDEOU EM LISBOA PORTUGAL, AFIRMANDO QUE AFONSO DHLAKAMA AMEAÇOU E AINDA AMEAÇA O PAÍS COM A GUERRA, ESSA TRISTE FIGURA DECORATIVA DA INTELECTUALIDADE MOÇAMBICANA MESMO SABENDO QUE O SEU PARTIDO A FRELIMO ATUA COMO PLATAFORMA QUE FOMENTA A PSICOSE DA GUERRA EWNTRE A SOCIEDADE CIVIL MOÇAMBICANA E A FRELIMO DETENTORA DO PODER EM MOÇAMBIQUE, E MESMO SABENDO QUE MOÇAMBIQUE ESTA EM MÃOS ERRADAS A TEMPO DEMAIS, POIS A FRELIMO NÃO SABE VIVER SEM ESTAR NO PODER EM MOÇAMBIQUE, E AINDA SABENDO QUE PARA A FRELIMO O PODER FAZ PARTE DA SUA GENEZE E POR ISSO CONTINUA NA POSSE DO PODER TOTAL PELA ÂNSIA E APEGA-SE AO PODER A QUALQUER CUSTO E A QUALQUER PREÇO, AINDA QUE SEJA COM A PRETENÇÃO DE LEVAR A RENAMO E O POVO ESCLUIDO DE MOÇAMBIQUE PARA A GUERRA PARA MANTER O PODER. A FRELIMO PARTIDO A QUE PERTENCE ELÍSIO MACAMO O PSEUDO ACADÊMICO ALINHADO AO EXTREMISMO QUE CARACTERIZA A FORMA DE ATUAÇÃO DA FRELIMO, NADA DIZ ACERCA DO BALANÇO DOS MAIS DE 38 ANOS DE PODER ABSOLUTO DA GOVERNAÇÃO DA FRELIMO COMO POR EXEMPLO:, QUEM BENEFICIA DESDE OS 38 ANOS DA GOVERNAÇÃO DA FRELIMO EM MOÇAMBIQUE? A FRELIMO E SEUS ACÓLITOS E GRUPINHO DE BANDIDOS AFETOS AO PARTIDO NO PODER COMO OS MEMBROS PERTENCENTES A NOMENCLATURA OU A SOCIEDADE QUE NÃO SE RREVÊ NA FRELIMO E SIM NO PARTIDO RENAMO E NOS OUTROS QUADRANTES DA SOCIEDADE POLITICA SOCIAL E ECONÔMICA DE MOÇAMBIQUE? O MELHOR É ESSE ACADÊMICO VOLTAR A UNIVERSIDADE E ESTUDAR PARA COMEÇAR A VER COM OLHOS DE VER E AFASTAR-SEDA IDEIA NEGATIVA DE INFLAMAR A IMPRENSA COM FALAÇÃO FALSA E ESCORREGADIA. MOÇAMBIQUE É DOS MOÇAMBICANOS E NÃO DE INTELIGENCIAS MEDÍOCRES E ARTIFICIAIS COMO A DO ACADÊMICO ELÍSIO MACAMO E DE SEUS PATRÕES DA DIREÇÃO DA FRELIMO COMO O PRESIDENTE GUEBUZA DENTRE OUTROS FANTOCHES AO SERVIÇO DE SEUS PRÓPRIOS INTERESSES PESSOAIS. DEFENDAMOS OS MOÇAMBICANOS E NÃO ELITIZEMOS ASSOMBROSAMENTE UMA PARTE DA SOCIEDADE MOÇAMBICANA COLOCANDO UMA PARTE DA SOCIEDADE CONTRA OUTRA COMO O FEZ O INTELECTUALÓIDE ELÍSIO MACAMO.





"Moçambique é como um castelo de cartas que pode cair ao mínimo sopro"

Querer saber se a Renamo tem armas seria o mesmo que perguntar “Quem matou Kennedy?” diz o académico moçambicano Elísio Macamo. “Nunca vamos ter resposta.” Mas apesar da fragilidade do país e das ameaças de Afonso Dhlakama, não acredita num regresso à guerra em Moçambique.
Elísio Macamo esteve em Lisboa para a apresentação de uma conferência na Fundação Gulbenkian ENRIC VIVES-RUBIO


A África de muitas latitudes tem também várias camadas. Como o mundo inteiro. Ou um país apenas: Moçambique. África pode ser ilusão. Pelo menos como a conhecemos, ou seja, sob a forma de narrativas muito simples que escondem os efeitos acumulados de uma história complexa. As palavras são do académico moçambicano do Centro de Estudos Africanos da Universidade de Basileia na Suíça Elísio Macamo que agarra esta imagem para explicar A Ilusão da África conhecida – título da sua apresentação em Lisboa na conferência O tratamento dado à informação sobre África pelos media inserida no programa Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian no fim de Novembro.
Elísio Macamo falou mais tarde ao PÚBLICO desse fio de narrativas com o qual criamos “a ilusão que entendemos Moçambique”; da oposição política da Renamo que, nos 20 anos dos Acordos de Paz assinados a 4 de Outubro de 1992 em Roma, ameaça voltar à guerra; e de uma Frelimo dominante, produto de uma ideia fantástica porque sobre ela se projectam medos e esperanças. Uma Frelimo com um rosto: Guebuza que deixa a presidência do partido e do país em 2014. O sucessor (daquele que sucedeu a Joaquim Chissano) será uma escolha dentro da Frelimo. “Não da maioria, de uma minoria influente.”
Se a Frelimo é fantasia, será a Renamo ilusão? Ilusão por existir sem perspectiva, pelo menos para já, de vencer eleições gerais. “A Renamo não é uma ilusão”, salienta Elísio Macamo. Mas é à luz da ilusão e da fantasia que o académico doutorado em Sociologia olha para o seu país. As suas respostas podem ter “várias dimensões”; e a mesma pergunta receber um “sim” e um “não”. Como a questão de saber se as ameaças da Renamo, nos últimos meses, de um regresso à luta contra a Frelimo são para levar a sério. “Sim e não.”
Do lado do sim: “Moçambique é uma construção muito frágil. É como um castelo de cartas que pode cair ao mínimo sopro. Qualquer pessoa, qualquer grupo de pessoas, com vontade e com meios, pode inviabilizar um país como Moçambique. Esse é um perigo real.” Do lado do não: “Muita coisa mudou. A situação na região é muito diferente daquela que tivemos quando a Renamo foi criada, a África do Sul não é a mesma África do Sul, o Zimbabwe não é a Rodésia do Sul. Temos uma situação internacional completamente diferente. Os países que, no passado, deram apoio moral e material à Renamo estão hoje mais interessados em investir em Moçambique. Perante a actual explosão de recursos, ninguém está interessado em apoiar uma rebelião em Moçambique.”
A Renamo não é ilusão. Pelo contrário. “A Renamo existe verdadeiramente. Sentiram-se os efeitos da sua existência com a guerra civil em Moçambique mas também com a abertura do sistema político." A principal motivação da Renamo, porém, “não foi necessariamente” lutar pela democracia. “Essa é uma questão que não precisamos de discutir”, diz Elísio Macamo. O importante, acrescenta, é que “a Renamo existe pelos seus efeitos e esses efeitos são palpáveis”.
Na realidade, explica, “a Renamo foi algo muito mais ligado à geopolítica da região, à Rodésia do Sul, ao apartheid na África do Sul e também à Guerra Fria”. Noutra dimensão, foi mais do que isso. “Ela também se nutriu de problemas reais criados pelo totalitarismo da Frelimo nos anos imediatamente a seguir à independência. Isso também desempenhou um papel muito importante para, ao longo do tempo, conferir um cunho mais moçambicano à rebelião.”
Caixa negra da história
Querer saber se a Renamo tem armas seria o mesmo que perguntar “Quem matou Kennedy?” diz Elísio Macamo. “Nunca vamos ter resposta.” O problema é que às vezes convém ao líder da Renamo dizer que tem armas e outras vezes ao Governo dizer que a Renamo tem armas, refere. E homens? “Ele pode dizer que tem, mas não tem. Eu acho que ele nunca vai fazer nenhuma acção militar.”
Com ou sem alternância política, podemos imaginar estas ameaças da Renamo – a exigir o fim da partidarização do Estado e do domínio da Frelimo e uma alteração da Lei Eleitoral para, segundo diz, evitar fraudes nas eleições – a serem colocadas numa caixa negra que mistura tudo, ora ocultando ora expondo. Uma caixa negra, diz Macamo, que permita apenas a quem tenha acesso a ela entender Moçambique.
Mas entenderemos? Para além do que se vê, há a complexidade de efeitos acumulados do mosaico de acontecimentos passados: “Da história colonial, do namoro que houve em Moçambique com ideologias revolucionárias, de todos os conflitos provenientes da tensão da Guerra Fria. Os efeitos acumulados disso tudo produzem o pano de fundo, uma espécie de caixa negra. Só quem tem acesso a ela, pode entender Moçambique.”
Foi lá que Elísio Macamo nasceu – em Xai-Xai em 1964. Está lá o seu farol. Foi lá que começou os estudos antes de os prosseguir em Inglaterra e Alemanha onde vive.Todos os dias atravessa a fronteira com a Suíça, onde trabalha. É, desde 2009, director do Centro de Estudos Africanos da Universidade de Basileia onde também é professor e dirige o Doutoramento e o Mestrado em Estudos Africanos. Talvez por isso seja capaz de olhar a Europa e a África quase em espelho, para apontar diferenças e semelhanças à vista de todos mas não vistas por todos.
A possibilidade de alternância
É esse “olhar o todo” que o leva a dizer que a ausência de alternância política não é necessariamente uma coisa má, desde que haja coerência “no agir político” e força da sociedade civil. Não é o que acontece em Moçambique. Mas podia ser. Por isso a sua resposta continua a ser que “a dominação de um partido não tem de ser uma coisa necessariamente má”.  
Moçambique terá este ano eleições autárquicas. No próximo realizam-se as legislativas e presidenciais. As quatro últimas eleições gerais realizadas no país desde a paz em 1992 foram ganhas pela Frelimo, primeiro com Joaquim Chissano e depois Armando Guebuza que prepara a sucessão para abandonar o cargo em 2014.  
“A alternância para mim é apenas uma possibilidade. A democracia não precisa necessariamente da alternância. A democracia precisa da possibilidade da alternância”, diz. E explica: “Temos experiências disso na Escandinávia, onde depois da II Guerra Mundial, a Suécia ou a Finlândia foram praticamente governadas por um único partido – o Partido Social Democrata.” Acrescenta o exemplo do estado alemão da Baviera governado por um único partido – a União Social Cristã (CSU), irmão da CDU – até 2008 e quase ininterruptamente desde o fim da II Guerra Mundial.
Em Moçambique, no entanto, “a dominação de um partido cria condições para a emergência de uma cultura cívica e política problemática em que as pessoas com melhor formação, por conveniência ou oportunismo, se associam a esta formação dominante e ajudam a perpetuar coisas nocivas para o país”.
Zonas rurais e redes sociais
Com a sua presidência aberta de Norte a Sul do país, Armando Guebuza, eleito pela primeira vez em 2004, tornou-se uma figura popular fora das cidades. Mas é também contestado nos debates e nas redes sociais, como o Facebook, onde se questiona o seu estilo de liderança, os seus interesses empresariais, a falta de transparência e a não distinção entre o público e o privado.
Guebuza sairá antes das eleições de 2014. A questão da sua sucessão foi deixada em aberto no Congresso de Novembro. Mas é ele quem está "numa posição forte para escolher o sucessor”, nota Elísio Macamo. E para a escolha, mais do que a eleição, o que conta é a negociação. “Nunca vai ser uma escolha da maioria. Vai ser sempre a escolha de uma minoria influente." 
Pela história recente de Moçambique – com a luta de libertação nacional – e por ser um partido dominante, criou-se “uma ideia fantástica da Frelimo” como “força todo poderosa”, diz o académico. "Porque estamos a viver neste sistema dominado por um único partido, é muito difícil ver que este partido é feito de pessoas, de conflitos…e que não precisam dos desígnios maquiavélicos que temos por hábito projectar sobre eles", considera. "A Frelimo não é aquilo que muitos de nós, em Moçambique, pensamos que é. Com os nossos medos, a nossa autocensura, o nosso oportunismo, produzimos essa ideia fantástica da Frelimo. E é essa ideia que nos governa.”