terça-feira, 11 de março de 2014

SÃO PAULO: Barbie humana ucraniana

A Barbie ucraniana

Valeria Lukyanova não fala de política, teve barraco com o Ken e sua meta é viver de luz

Fonte: Estadão
Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
11.03.2014
Valeria Lukyanova não fala de política, teve barraco com o Ken e sua meta é viver de luz (© Divulgação)
A carreira de Valeria Lukyanova segue numa direção oposta à de Pinóquio. Enquanto o desafio do boneco de Gepeto era se tornar um menino de verdade, o sonho de consumo dessa ucraniana de 23 anos é virar uma Barbie humana.
A avaliar pelo aspecto, ela já tem meio caminho andado. Com 1,63 m, pesa 46 kg e pavoneia uma cintura de 50 cm. A cada segundo, Valeria fica mais parecida com a boneca da Mattel. Ela jura que não fez tantas plásticas quanto Frankenstein – foi só um mísero implante de silicone nos seios. O segredo são umas toneladazinhas de maquiagem diária, lentes de contato turquesa e malhação a granel.
Mas Valeria não quer se confundida com uma loira fútil e burra. Ok, ela concorda com Oscar Wilde, para quem “somente as pessoas superficiais não julgam pelas aparências”. Contudo, se Valeria é a cara da Barbie, não brinca em serviço: a primazia dela é a beleza interior. “A personalidade é mais importante que estrear um casaco de peles ou comprar um carro”, pontifica.
Certo, ela assume que gasta parte da rotina se embonecando (literalmente). Mas nada de exageros: são só 90 minutos por dia para ficar com aquele cabelo cor de champanhe, a pele de cetim e a boca de botãozinho de rosa. “Não acredito em planificação, pois sou uma criativa e deixo rolar. Não escolhi a imagem de Barbie. Claro que me agrada quando apontam as semelhanças.” E ainda dizem que não há coincidências.
Quando Valeria despontou no cenário mundial, teve gente que duvidou até de sua existência tridimensional. Isso apesar do milhão de seguidores que angariou no Facebook e das legiões de visitantes de seus vídeos no YouTube. Daí surgiu o convite para um pulinho a Nova York, para tirar a prova dos nove em programas de TV.
Valeria foi de mala e cuia, nem desconfiando o que os anfitriões haviam descolado para ela: nem mais nem menos que sua alma gêmea, um Ken de carne e osso. Ou seja, o americano Justin Jedlica, que aos 32 anos já torrou US$ 250 mil (cerca de R$ 580 mil) para se transfigurar em avatar humano do boneco topetudo de malares salientes.
Pena que o encontro tenha terminado em barraco. Justin resmungou que Valeria era “uma fraude”, pois se limitava a se vestir e a se maquiar como a Barbie, e mais parecia uma drag queen. Ao passo que ele já fez quase cem cirurgias plásticas e tem botox e silicone espalhados por cada poro do corpo. E acrescentou: “Vou continuar aperfeiçoando meu visual. Não fico por aqui. Seria como pedir a Picasso para parar de pintar”.
Valeria respondeu com luva de pelica: “Nunca escondi que só fiz uma plástica. Justin é bonito, mas acho que no enchimento dos lábios ele surtou um pouquinho”.
Parece incrível, o visual não é a coisa mais estrambólica na ucraniana. Além de modelo, é professora de meditação e viagens. Mas não das viagens manjadas que as agências de turismo apregoam, e sim de jornadas transcendentais no tempo e no espaço. “Já visitei outros planetas e universos, e o passado e o futuro.” E aí começa a cair a ficha: obviamente, Valeria é uma alienígena – embora não necessariamente lunática.
Com ela, as coisas vão ficando sempre cada vez mais estarrecedoras. Como se não bastasse se intitular um ET clone da Barbie, recentemente deu outra pirueta extravagante – e, dessa vez, perigosa. Muito perigosa.
Essa semana, anunciou sua adesão ao respiracionismo, culto que preconiza a sobrevivência humana sem alimentos nem água, apenas através de ar e luz. O ascetismo vai a ponto de os fiéis usarem uma máscara na boca para evitar a ingestão involuntária de germes (não para protegerem a eles, mas os germes). O líder do respiracionismo é o guru Prahlad Jani. Aos 82 anos, garante que passou os últimos 74 sem comer nem beber. Outra ideóloga respiracionista, a australiana Ellen Greve, vai mais longe: até engolir saliva é um pecado abominável. Glup!
Com sua cintura de vespa, cabeleira platinada e olhar vítreo, a Barbie humana sugere mais do que o enésimo sucedâneo do narcisismo contemporâneo. Transparece nela uma síntese icônica do mal-estar das sociedades pós-comunistas, que saíram do totalitarismo para caírem numa espécie de limbo social, morbidamente fascinadas com a cultura pop americana.
Valeria mora em Odessa, Ucrânia, que já foi o mais importante porto comercial da União Soviética e uma relevante base naval. Foi lá que Pushkin, o poeta nacional russo, viveu exilado. E também lá foi rodada uma das cenas mais marcantes da história do cinema, no Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. É a lendária sequência das escadarias, onde marinheiros revoltosos e civis inocentes são massacrados pela guarda do czar. Neste momento, o simbolismo não podia ser mais sensível.
Mas não adianta o Estado cutucar a crise Ucrânia/Rússia: Valeria não fala de política (Caetano Veloso tem muito que aprender com a Barbie humana). Prefere anunciar as novas metas da carreira. Escrever um livro? Plantar uma árvore? Ter um filho? Frio, frio. Até porque já escreveu um livro, sobre seus rolezinhos fora do corpo. A prioridade dela agora é a música, como cantora de um treco que define como “ópera new age”. Já tem “mais de cem” canções compostas.
Assim, Valeria pretende demonstrar que, apesar da aparência de boneca loira e da dieta radical de faquir, não é uma bobinha de miolo mole. Pastel de vento, sim. Cabeça de vento, jamais!
* PAULO NOGUEIRA, ESCRITOR E JORNALISTA, É AUTOR DE O AMOR É UM LUGAR COMUM (INTERMEIOS)
Valeria Lukyanova quer se tornar boneca humana com quilos de maquiagem e lentes de contato - 1 (© Facebook Divulgação)
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LUANDA: Julgamento dos suspeitos no caso Cassule e Kamulingue ainda está longe

Luanda: Julgamento dos suspeitos no caso Cassule/ Kamulingue ainda está longe

Procuradoria disse que o caso já foi entregue a um tribunal.
Kamulingue e Cassule
Kamulingue e CassuleFonte: VOADivulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa

TAMANHO DAS LETRAS
 
O advogado David Mendes, líder da Associação Mãos Livres, diz ser muito cedo para se falar em julgamento do processo que envolve nove suspeitos da morte dos activistas Isaías Cassule e Alves Kamulingue em Maio de 2012.

Mendes reagia à declaração da Procuradoria segundo a qual já terminram as investigações sobre o caso tendo o processo já sido entregue a um tribunal.

Em declarações à Voz da América, David Mendes disse que há muitos procedimentos a serem cumpridos antes do processo ir a tribunal. O causídico angolano não revelou a identidade dos nove cidadãos suspeitos.

“O procurador junto do Tribunal provincial vai fazer a acusação e só depois da acusação do Ministério Público é que é aberta a instrução contraditória e só depois do despacho de pronúncia”, disse.

A Procuradoria Geral da República, num comunicado, lido no principal serviço de notícias esclareceu, na última semana, que o processo-crime instruído pela Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), foi remetido ao Tribunal Provincial de Luanda já no passado dia 31 de Janeiro.

O anúncio foi feito poucos dias depois dos familiares dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule se terem queixado mais uma vez de não estarem a ser informados do andamento do processo.

Alves Kamulingue e Isaías Cassule foram raptados na via pública, em Luanda, nos dias 27 e 29 de Maio de 2012, quando tentavam organizar uma manifestação de veteranos e desmobilizados contra o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos.

Em Novembro do ano passado,  o Procurador-Geral Adjunto da República, Beato Paulo, identificou os cidadãos, Júnior Maurício, Francisco Pimentel Daniel, Augusto Mota e João Fragoso, que pertencem à Polícia Nacional e aos Serviços de Informação e Segurança (SINSE), como sendo os suspeitos de assassinato dos activistas Isaías Cassule e António Alves Kamulingue.

Na altura, Beato Paulo tinha  garantido que quando fossem concluídos todos os exames periciais, relatórios e outros elementos necessários, o processo seria remetido ao Tribunal Provincial de Luanda.

LUANDA: Três militantes da UNITA mortos no Kwanza Sul

Três militantes da UNITA mortos no Kwanza Sul

Dois outros membros presos pela polícia após confrontos junto à província do Huambo
Bandeiras Unita MPLA
Bandeiras Unita MPLATAMANHO DAS LETRAS
 
Fonte: Redacção VOAFernando Caetano
Divulgação: Planalto De Malanje Rio capôpa
Três militantes da UNITA foram mortos na província do Kwanza Sul por militantes do MPLA quando tentavam celebrar a fundação do seu partido.

O incidente ocorreu numa aérea junto à fronteira da província do Huambo.

O Secretário provincial da UNITA para a Informação e Marketing, Celestino Bartolomeu, disse que os dirigentes do seu partido naquela zona tinham seguido todas as normas legais para avisarem as autoridades da intensão da “movimentação” que tencionavam fazer.


Um dos militantes mortos era o secretário do comité local da UNITA.

Bartolomeu disse que os militantes tinham sido mortos “à catanada e pedrada”.

A UNITA tinha contactado o governador provincial sobre o incidente mas este disse tratar-se de uma ocorrência policial.

Segundo o porta-voz da UNITA, a polícia disse que os confrontos se tinham dado devido ao facto dos militantes da UNITA não terem obedecido às ordens da polícia e terem cometidos “desacatos”.

O secretário municipal e o secretário para a organização do partido foram detidos pela polícia, disse Bartolomeu.

“A UNITA considera que 11 anos depois da assinatura dos acordos de paz não há a necessidade de se estarem a perder vidas humanas quando se está realmente preparado para os desafios da reconciliação nacional,” disse

“O que se passou não se justifica”, disse este dirigente que avisou que se o seu partido “não contiver a emoção dos militantes isto pode acabar mal”.

domingo, 9 de março de 2014

LUANDA: Procuradoria diz já ter concluído processo Kamulingue/Cassule

Luanda: Procuradoria diz já ter concluído processo Kamulingue/Cassule

Acusações contra nove indivíduos foram entregues ao tribunal em Janeiro
TAMANHO DAS LETRAS 
Fonte: Redacção VOA
Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
A Procuradoria-Geral da República de Angola disse em Luanda que está concluído o processo-crime contra nove presumíveis autores de rapto e homicídio de dois activistas em Maio de 2012.

O anúncio foi feito poucos dias depois dos familiares dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule se terem queixado mais uma vez de não estarem a ser informados do andamento do processo.

Os familiares queixam-se ainda de não saberem se as autoridades já encontraram os corpos dos activistvas

Num comunicado, lido no principal serviço de notícias da Televisão Pública de Angola, esclarece-se que o processo-crime instruído pela Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP), foi remetido ao Tribunal Provincial de Luanda já no passado dia 31 de Janeiro.

Alves Kamulingue e Isaías Cassule foram raptados na via pública, em Luanda, nos dias 27 e 29 de maio de 2012, quando tentavam organizar uma manifestação de veteranos e desmobilizados contra o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos.

Os dois, ex-militares raptados foram alegadamente assassinados por agentes da Polícia Nacional e da Segurança do Estado.

Em Novembro as autoridades tinham anunciado quatro prisões e dois dias depois o chefe do Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado (SINSE) de Angola, Sebastião Martins, foi demitido do cargo pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Os motivos da demissão não foram revelados, mas estarão relacionados com o envolvimento de agentes do SINSE no homicídio dos dois ex-militares.

O caso da morte dos dois ex-militares esteve na base da subida da tensão política verificada em novembro passado em Angola, com a realização, no dia 23 daquele mês, de manifestações em vários pontos do país, convocadas pelo principal partido da oposição, União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), consideradas previamente ilegais pelas autoridades.

O segundo maior partido da oposição, a coligação eleitoral Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), associou-se à causa e, na sequência de uma colagem de cartazes, também em várias províncias, um seu dirigente viria a ser abatido, em Luanda, por efetivos da Guarda Presidencial, por alegada violação do perímetro de segurança do Palácio Presidencial.

O funeral deste dirigente, no dia 27 de novembro, voltou a fazer subir a temperatura política, com os participantes na cerimónia a quase confrontarem-se com a polícia, por insistirem em acompanharem o caixão a pé, numa distância de quatro quilómetros, dentro de Luanda.

No dia seguinte, foi a vez dos deputados das quatro forças políticas da oposição abandonarem os trabalhos do parlamento, em virtude do partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), ter inviabilizado a realização de um debate sobre os acontecimentos.

SÃO PAULO: Se toque: 10 dicas para colocar a masturbação na sua vida

Se toque: 10 dicas para colocar a masturbação na sua vida

Se toque: 10 dicas para colocar a masturbação em sua vida

Fonte: Redação/MSN Informação
Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
09.03.2014


Se toque: 10 dicas para colocar a masturbação em sua vida - 1 (© Foto: Thinkstock)
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Da REDAÇÃO
Falar em masturbação ainda é um tabu para algumas mulheres. Já para os homens, de uma forma geral, essa prática é encarada como algo "normal" e sem o menor "pudor". Mas falar sobre masturbação feminina ainda traz ressentimentos. Isso porque muitas mulheres, por razões que vamos explicar mais à frente, só de ouvirem essa palavrinha se incomodam.
Para se ter uma ideia, 6% das mulheres afirmam que se masturbam com frequência de duas a três vezes por semana. O dado é da pesquisa "Mosaico Brasil", coordenada pela sexóloga Carmita Abdo, que também é psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) da USP. O estudo foi divulgado em 2009, mas ainda é um dos mais completos sobre a sexualidade dos brasileiros.
Outra pesquisa revelou que 28% das mulheres chegam mais facilmente ao orgasmo quando se masturbam. A pesquisa "Durex Global Survey Sex", divulgada em 2014 com a chancela de Carmita Abdo, entrevistou 1.004 homens e mulheres brasileiros, entre 18 e 65 anos. "Conhecendo mais o seu corpo, elas acabam tendo mais facilidade, tanto na masturbação quanto na parceria sexual", analisou a psiquiatra durante o lançamento da pesquisa.
Fatores como a repressão ou educação sexual que algumas mulheres tiveram ou têm, ou mesmo a falta de comunicação dos pais sobre o assunto, estimularam a ausência de conversa sobre masturbação. A sexóloga e personal Sexy, Karina Brum, está acostumada a atender mulheres que não falam, literalmente, sobre masturbação e sexo porque foram criadas de maneira "mais fechada".
"Atendo, em média, 30 mulheres por dia, e todas relatam que não precisam de sexo ou que não pensam em sexo. Quando pergunto se elas se masturbam e qual a frequência, elas me olham espantadas como se eu tivesse dito alguma palavra obscena, com medo de responder", conta Karina.
Mas a masturbação, livre dos velhos tabus e preconceitos, é uma prática importantíssima que traz benefícios à vida íntima e sexual da mulher. "A masturbação é um tabu por causa da educação sexual inadequada que recebemos desde criança e o desconhecimento da própria sexualidade", explica a fisioterapeuta e sexólogaFabiane Dell' Antônio.
Um fator para algumas mães hoje não conversarem sobre masturbação com as filhas, assinala a sexóloga, é que elas mesmas não estão bem resolvidas sexualmente. "E elas não têm conhecimento adequado sobre o assunto. Quando é realizada de forma adequada e com equilíbrio, é muito importante para a sexualidade de homens e mulheres" completa.
Para Regina Racco, colunista de amor e sexo do Tempo de Mulher e professora de Ginástica Íntima, a masturbação feminina é importante demais para a mulher. Isso porque, sem a prática, dificilmente ela alcançará boa compreensão dos seus pontos de prazer e, consequentemente, terá uma boa resposta sexual.
"E sabemos bem que um grande número de mulheres não tem o hábito de se masturbar, seja por motivos religiosos, vergonha (dela mesma!), efeito de uma educação repressora, entre outros aspectos", avalia Regina. Ela também é autora dos livros "O livro de Ouro do Pompoarismo", "A Conquista do Prazer Masculino" e "Sexo para Mestres na Arte da Sedução".
"Gosto de dizer que a masturbação feminina auxilia nos exercícios dos músculos vaginais, o que favorece a produção das secreções (lubrificação). Estas que são tão importantes para manter nossa região íntima segura e protegida. Fora que o hábito 'masturbatório' torna a saúde das genitálias mais 'viva'," explica a personal sexyKarina Brum.
Ela recomenda sempre ter ao alcance das mãos um bom lubrificante, de preferência, para usar na masturbação. Pode ser algo à base de silicone que vai permitir movimentos ágeis, macios e com maior sensibilidade ao toque. "Reforçando: você pode melhorar tudo! Experimente utilizar uma dedeira vibratória ou uma luva de silicone texturizada. Assim, as manobras 'masturbatórias' vão fazer você ir ao paraíso", completa a personal sexy.
Conheça mais benefícios sobre a masturbação e confira as dicas dos especialistas sobre como desfrutar desse prazer, sem culpa!

sábado, 8 de março de 2014

MAPUTO: Governo moçambicano aceita NEGOCIAR COM RENAMO força de paz

Governo moçambicano aceita negociar com RENAMO força de paz

Renamo convidada a apresentar termos de referência da força de manutenção da paz.
TAMANHO DAS LETRAS 

A Renamo voltou hoje a exigir a presença de uma força estrangeira de interposição da paz em Moçambique  para supervisonar o cessar-fogo que deve ser acordado em breve entre o antigo movimento rebelde e o Governo.

Esta posição foi apresentada pelo chefe da equipa negocial da RENAMO, Simon Macuiane, na mesa de diálogo com o Governo que, pela segunda semana consecutiva, discute o desarmamento das milícias sob comando do maior partido da oposição.

O Governo disse ter anotado a exigência, mas defendeu que a RENAMO apresente os termos de referência para uma melhor apreciação.

Segundo o chefe-adjunto da delegação governamental, Gabriel Muthisse, está tudo em aberto para um final consensual, mas é preciso ver se o que a Renamo quer da chamada força de interposição pode ou não ser feito pelos próprios moçambicanos.

Enquanto o diálogo abana na mesa diplomática, o centro do país continua um campo de batalha em que, apesar de não haver dados oficais, há quase que diariamente informações de mortes e feridos.

LUANDA: Vistos ilegais rendem mais de 90 milhões de dólares

Vistos Ilegais Rendem Mais de 90 Milhões de Dólares
Por Alfredo Muvuma 
Fonte Maka Angola
Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
07 de Março, 2014
No espaço de cerca de um ano, a direcção do Serviço de Migração e Fronteiras (SME) emitiu mais de 14 mil vistos de trabalho, de forma fraudulenta, ao preço individual de US $5,000 a US $15,000, e sem quaisquer receitas para os cofres do Estado.

A operação terá rendido mais de US $90 milhões aos corruptos e nada para o Estado. Os dados constam do relatório de inspecção do Ministério do Interior (MININT) ao SME, entregue ao ministro do Interior a 6 de Fevereiro passado, e a que o Maka Angola teve acesso.

A sindicância teve início a 6 de Novembro de 2013, por ordem do ministro do Interior, Ângelo de Barros Veiga Tavares, com o objectivo de verificar o ” modo como foram executadas as decisões proferidas pelo ministro do Interior, sobre a correcção ou reparação das irregularidades, deficiências e anomalias detectadas no inquérito instaurado pela Inspecção Geral ao Serviço de Migração e Estrangeiros, em Novembro de 2012″. O que os inspectores do MININT encontraram no SME foi a corrupção desenfreada, para não mencionar os gastos absurdos.

Cabecilhas e Cúmplices

O director nacional do SME e o seu adjunto, respectivamente José Paulino da Silva e Eduardo João de Sousa Santos, são apontados como os cabecilhas da rede de concessão fraudulenta de vistos de trabalho a milhares de estrangeiros, segundo o referido relatório, elaborado pelo Gabinete de Inspecção do MININT.

De entre o núcleo da rede de corrupção, os inspectores identificaram também 14 funcionários, incluindo a secretária e o assistente do director nacional do SME, Teresa Ermelinda e Nelson Conceição, bem como a secretária e o assistente do director nacional adjunto, Emanuela Sebastião e Francisco Aleixo. São ainda citados os chefes do Departamento de Estrangeiros e do Departamento de Documentação, Registo e Arquivo, respectivamente Gilberto Teixeira Manuel e Teixeira da Silva Adão, como participantes do esquema.

Segundo o relatório:
“Alguns funcionários do SME, designados por cidadãos estrangeiros e não só como ponto de contacto para a recepção, tramitação e emissão irregular de actos migratórios diversos, particularmente os vistos de trabalho, recebem como contrapartida valores monetários que variam entre US $5,000 e US $15,000 por cada visto de trabalho emitido.”

A título de exemplo, os inspectores apontam um caso de emissão de vistos no prazo de apenas seis horas, ocorrido a 12 de Novembro de 2013:
“Em tempo recorde foram tramitados e emitidos 48 vistos de trabalho. Os processos irregulares, dos quais 28 de cidadãos chineses e 20 de vietnamitas, foram entregues pessoalmente pelo director nacional do SME ao chefe do Departamento de Estrangeiros, Gilberto Teixeira Manuel.”

Gilberto Teixeira Manuel é também acusado de estar mancomunado com o chefe de Departamento de Documentação, Registo e Arquivo, Teixeira da Silva Adão, na recepção directa, tramitação e autorização, de forma irregular, dos pedidos de vistos e autorizações de residência. Os documentos são emitidos “sem processos ou com processos com insuficiência de documentos, sem pagamento de taxas”, segundo a inspecção.

A 13 de Novembro passado, o mesmo Gilberto Teixeira Manuel tramitou outros 56 processos de pedidos de visto de trabalho, 23 dos quais feitos por chineses e outros 23 feitos por vietnamitas. Gilberto Teixeira Manuel é ainda acusado de levantamento indevido de interdições de entrada.

Outro exemplo apontado no relatório é o de 90 processos que entraram no SME a 22 de Novembro de 2013 e que Teixeira da Silva Adão não soube localizar.

O ministro do Interior, depois de receber o relatório, ordenou a cessação imediata de recepção, tramitação e emissão local de vistos de trabalho pela direcção do SME. Contudo, no curto período de 22 a 29 de Novembro passado, a rede de corrupção de José Paulino da Silva e Eduardo João de Sousa Santos recebeu e processou 440 vistos de trabalho e de residência.

Fortuna e Esquema dos Vistos

Em virtude da falta de prestação de contas do director José Paulino da Silva, só entre Outubro de 2012 e Outubro de 2013 foram emitidos, de modo irregular e fraudulento, 17,756 vistos de trabalho sem pagamento da taxa migratória e da caução de repatriamento. Além disso, constataram os inspectores, os pedidos de vistos de trabalho não entram através do Guichet de Atendimento ao Público criado para o efeito.

Para “democratizar a farra” dos vistos de trabalho, José Paulino da Silva criou cinco postos paralelos de recepção e entrega dos vistos. Os responsáveis pela recepção dos documentos são ele próprio, o director nacional adjunto, o chefe do Departamento de Estrangeiros, o chefe do Departamento de Documentação, Registo e Arquivo e a Repartição Administrativa. Os actos migratórios que entram através dos cinco pontos têm tratamento especial e prioritário sobre os demais que entram pelas portas convencionais.

“Depois de registados e emitidos, esses vistos são retirados do movimento normal sem qualquer registo, mantendo-se sob controlo dos funcionários envolvidos no esquema de facilitação e, tão logo o director nacional autorize a emissão, estes funcionários levam os passaportes para a sala de emissão e lá permanecem até que os vistos sejam emitidos”, lê-se no relatório de sindicância.

Para a emissão de visto de trabalho, o SME está equipado com um aplicativo informático eficiente e seguro que emite diversos tipos de alerta para o processamento de vistos. Por exemplo, o vermelho acciona quando o processo foi rejeitado pelo analista; o branco anuncia o encaminhamento do processo pelo analista e a sua aprovação; o azul-escuro indica que o processo é considerado urgente. Há mais outras cores e variantes para melhor controlo, celeridade e eficiência na tramitação dos pedidos de visto.

Porém, José Paulino da Silva tem ignorado sistematicamente os mecanismos informáticos rigorosos para a concessão de vistos.

“Dos 17,756 vistos de trabalho concedidos entre Outubro de 2012 e Outubro do ano seguinte, 1,442 não têm qualquer registo de que os seus beneficiários tenham antes entrado no país, o que indicia que foram emitidos com o envio dos passaportes a partir dos seus países de origem ou de residência”, reportam os inspectores. Além disso, os inspectores constataram, que, para 17,756 beneficiários de vistos de trabalho, emitiram-se apenas 5,221 guias de pagamento de caução, das quais foram pagas somente 4,473.

Raciocínio elementar: dos quase 18 mil estrangeiros a quem o SME atribuiu vistos de trabalho, perto de 14 mil vistos, referidos no início do texto, não desembolsaram um lwei (cêntimo) para os cofres públicos. Ou seja, podem ter desembolsado até US $90 milhões, num esquema paralelo de enriquecimento ilícito, envolvendo José Paulino da Silva e os seus colaboradores mais próximos.

Contrariamente ao que disse ao Jornal de Angola, José Paulino da Silva é, ele próprio, um dos mais empenhados facilitadores da imigração ilegal. Os inspectores constataram que em alguns casos o director do SME chama a si mesmo a tarefa de emitir vistos de trabalho ilegais.

Seitas Religiosas Impronunciáveis

Em entrevista que o Jornal de Angola publicou na sua edição de sexta-feira, 28 de Fevereiro,José Paulino da Silva responsabilizou as seitas religiosas pela crescente imigração ilegal no país.

“Assistimos a uma grande proliferação de seitas religiosas que tem alterado a nossa forma de ser e de estar. Algumas dessas igrejas são fonte de auxílio à imigração ilegal”, disse.

José Paulino da Silva não nomeia as seitas religiosas que estariam a encorajar a imigração ilegal, afirmando-se incapaz de pronunciar os seus nomes. “Temos indicações de algumas mas cujos nomes dificilmente consigo pronunciar. Mas muitas são ramificações da Igreja Pentecostal. É ponto assente que muitos responsáveis dessas igrejas têm sido receptadores de imigrantes ilegais.”

É grave, muito grave mesmo, que o responsável máximo do Serviço de Migração e Estrangeiros se diga incapaz de pronunciar os nomes de seitas religiosas que ele mesmo acusa de práticas lesivas ao interesse nacional.

A acusação que José Paulino da Silva faz contra as seitas religiosas tem de ser provada, do mesmo modo que a sindicância ao seu consulado o apontou a ele como activo instigador da imigração ilegal.

Na mesma entrevista ao Jornal de Angola, o director do SME fingiu não ter conhecimento de uma realidade que anda à vista de todos: a corrupção. “Sem a indicação das pessoas visadas é difícil a nossa acção em termos de aplicação de uma sanção disciplinar”.

Insubordinação e Má Gestão

Os inspectores detectaram fortes indícios de má utilização dos valores correspondentes a 70 porcento das taxas migratórias, bem como dos juros resultantes da aplicação de parte das receitas referentes às cauções de repatriamento. No domínio da concessão de vistos de trabalho, os inspectores constataram a anarquia total e generalizada. “Existem irregularidades no domínio da recepção, tramitação, concessão e entrega de vistos de trabalho, em violação do Regime Jurídico dos Estrangeiros na República de Angola, que estabelece que o visto de trabalho é concedido pelas missões diplomáticas e consulares”, explica o relatório acedido pelo Maka Angola.

Segundo o referido diploma legal, em caso de manifesto interesse público devidamente comprovado, o ministro do Interior, sob proposta do director do SME, pode autorizar a concessão local do visto de trabalho. Para o caso, deve obter o parecer favorável do Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social.

Mas no consulado de José Paulino da Silva essa disposição legal é sistematicamente violada. O director e alguns dos seus subordinados emitem vistos de trabalho sem a competente autorização do ministro do Interior.

“A concessão local de vistos de trabalho deixou de ser excepção para ser regra”, informa o relatório.

O próprio ministro do Interior perdeu toda a autoridade diante do director nacional do SME. De acordo com o relatório, “no mês de Junho de 2013 Sua Excia o ministro do Interior indeferiu sete pedidos de vistos de trabalho solicitados pela empresa Imporáfrica, mas em desrespeito à referida determinação o director nacional do SME autorizou a emissão dos respectivos vistos de trabalho”.

A biografia de José Paulino da Silva, no portal do SME, indica que foi consultor da Imporáfrica.

Bónus de Natal

Para além do esquema de corrupção dos vistos de trabalho e residência, há ainda a apontar os gastos abusivos do SME.

No mês de Dezembro de 2012, o SME retirou da sua conta bancária, domiciliada no BESA, 750 milhões de kwanzas (US $7.5 milhões), que foram usados para suportar um chamado bónus de Natal. Esse dinheiro foi usado com a condição de ser reposto tão logo o volume de receitas acumuladas o permitisse.

Mas até Dezembro de 2013 José Paulino da Silva e a sua equipa não haviam ainda reposto o dinheiro. No relatório que remeteram ao ministro Ângelo Tavares, os inspectores do MININT sublinharam que o bónus de Natal não teve sustentação legal. Por essa razão, os inspectores sugeriram que José Paulino da Silva e os seus cúmplices deveriam ser compelidos a devolver o dinheiro público.