sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

LUANDA: Oposição e governo trocam acusações sobre crimes em Angola

Oposição e governo trocam acusações sobre crimes em Angola

UNITA, CASA e PRS acusam governo de cometer crimes e MPLA acusa a oposição de demagogia
    TAMANHO DAS LETRAS 

    O parlamento vai iniciar o debate sobre a criminalidade na sexta-feira mas mesmo antes das discussões a oposição acusou as autoridades de serem elas próprias culpadas de cometerem crimes enquanto o MPLA acusou a oposição de demagogia.

    O parlamento vai iniciar o debate sobre a criminalidade nesta sexta-feira, 21, mas mesmo antes das discussões a oposição acusou as autoridades de serem elas próprias culpadas de cometerem crimes enquanto o MPLA acusou a oposição de demagogia.

    Eduardo KuanganaEduardo Kuangana
    O deputado do PRS Eduardo Kuangana considera que em Angola a cada dia que passa há menos segurança, para os cidadãos e as famílias porque segundo o parlamentar a própria policia que devia defender os cidadãos é quem os mata.

    "Há mortes de cidadãos abatidos por aqueles que deviam defender as pessoas, afinal quem nos vai defender se a polícia que devia fazer isso é que nos mata," perguntou.

    Raúl DandaRaúl Danda
    Por seu turno, o chefe da bancada parlamentar da UNITA, Raul Danda, diz que tem que haver um combate ao crime que envolve destacadas figuras do país.

    "A criminalidade não se pode resumir ao ladrão de galinha”, disse, afirmando que os grandes crimes devem ser vistos “com muita seriedade porque ameaçam a segurança do país".

    O deputado da UNITA disse que há que tomar medidas contra “pessoas que vendem as nossas irmãs lá fora, que compram raparigas lá fora com nosso dinheiro, pessoas devidamente conhecidas, estou a falar de Bento Kangamba precisamente", acrescentou em referência às acusações das autoridades brasileiras segundo as quais Kangamba esteve envolvido no tráfico de mulheres para prostituição, facto negado pelo general.

    A CASA-CE diz estar preparada para debater a criminalidade e promete instar o governo, a pôr cobro à onda de criminalidade que se verifica no país.

    "Vamos instar as autoridades competentes no sentido de frenarem estas oportunidades que são dadas aos autores de crimes, uns punidos e outros protegidos", disse o deputado da CASA Alexandre Sebastião André.

    João PintoJoão Pinto
    O MPLA, pelo parlamentar João Pinto, minimizou a situação e acusou a oposição de exagerar e dramatizar a situação de crime em Angola.

    "Em termos de índice de criminalidade entre os 50 países mais criminosos do mundo Angola não faz parte", argumentou.

    Em relação à acusação da oposição segundo a qual o MPLA teme os debates parlamentares, Pinto  acusou a oposição de demagogia.

    "O MPLA não teme nada, em África há poucas instituições políticas com  o percurso histórico do MPLA”, disse.

    “Quem diz que MPLA tem medo demonstra complexo e jogo político falacioso e demagógico" concluiu Pinto.

    LUANDA: Os diamantes angolanos e o marido de Isabel dos Santos

    Os Diamantes e o Marido de Isabel dos Santos
    Por Rafael Marques de Morais 
    Fonte Maka Angola
    Divulgação: Planalto De Malanje Rio Caapôpa
     20 de Fevereiro, 2014
    A filha do presidente José Eduardo dos Santos, a bilionária Isabel dos Santos, é a maior beneficiária da comercialização de diamantes em Angola.

    Em Angola, o esquema é básico, no estrangeiro, é sofisticado.

    Recentemente, a revista Forbes publicou um artigo de investigação do autor, no qual é desvendada a parceria estabelecida entre Isabel dos Santos, por via do seu marido, Sindika Dokolo, e o Estado angolano para a aquisição da joalharia suíça De Grisogono. Esta marca é conhecida por adornar grandes estrelas mundiais do cinema e da moda, como Sharon Stone e Heidi Klum.

    Maka Angola expande e contextualiza agora a referida investigação.

    A 27 de Fevereiro de 2012, uma empresa registada em Malta, Victoria Limited, adquiriu 72,5 por cento da De Grisogono Holding S.A.. Em pouco tempo, a participação elevou-se a 75 por cento. Em comunicado de imprensa emitido na altura da venda das acções, a De Grisogono, na voz de Fawaz Gruosi, anunciou que a transacção foi superior a US $100 milhões.

    No mesmo dia, a Victoria Holding Limited adquiriu 17,2 por cento da De Grisogono Holding S.A., tendo cedido em troca 20,87 por cento da sua subsidiária Victoria Limited ao então fundador, sócio majoritário e gestor da De Grisogono, Fawaz Gruosi.

    Como parte da transacção, no mesmo dia, a Victoria Holding comprou a dívida no valor de CHF63 milhões (francos suíços) que a De Grisogono Holding S.A. detinha junto dos bancos suíços UBS, Banque Cantonale Vaudoise e Banque Cantonale de Genève. Mais 2,5 por cento da De Grisogono passaram para a titularidade da Victoria Holding.

    Em 2010, Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos, criou a Victoria Holding Limited através de uma empresa sua registada na Holanda – a Melbourne Investments B.V. – em parceria com a empresa estatal angolana Sodiam (Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola).

    Segundo documentos a que Maka Angola teve acesso, a Melbourne Investments B.V. não tem qualquer funcionário e, por isso, não paga nenhum salário nem efectua descontos para a segurança social.

    Essa empresa-fantasma, anteriormente designada Exem Mining B.V., é detida, por sua vez, em 100 por cento, pela Exem Holdings A.G., estabelecida no Cantão de Zug, na Suíça. Recentemente, ao realizar uma nova aquisição internacional de vulto, Isabel dos Santos assumiu-se como verdadeira beneficiária da Exem Holding nos documentos que apresentou para apuramento do seu património. A Exem Holding também controla 50 por cento da Esperaza Holding, cabendo à Sonangol a outra metade. A Esperaza Holding detém 45 por cento da Amorim Energia B.V., principal accionista da empresa petrolífera portuguesa Galp.

    Por sua vez, a Sodiam funciona como central de compra e venda de diamantes, tendo sido criada pelo governo para desempenhar o papel de canal único de comercialização de diamantes. Já na Ascorp, a entidade criada pelo governo para “compra directa de diamantes do mercado informal”, Isabel dos Santos detinha 24,5 por cento do capital social. Em 2004, com o avolumar das campanhas internacionais contra os diamantes de sangue, bem como com a divulgação da má reputação da Ascorp, denunciada enquanto esquema de pilhagem, a filha do presidente decidiu transferir a totalidade das suas acções para o nome de sua mãe, Tatiana Kukanova, agora Tatiana Ragan.

    O presidente do conselho de administração da De Grisogono, Mário Filipe Moreira Leite da Silva, disse à Forbes, por e-mail, que a operação de compra da joalheira pela Victoria Holding “não envolveu fundos públicos ou recursos, nomeadamente do Estado angolano ou de empresas estatais, quer directa ou indirectamente”.

    Numa entrevista concedida ao Le Matin, da Suiça, o já mencionado Fawaz Gruosi reconheceu o investimento angolano. “É uma oportunidade formidável para a De Grisogono porque nos garante um acesso privilegiado a pedras preciosas da mais alta qualidade que nos permitem uma forma de integração que poucas marcas podem alcançar”, disse.

    À revista de economia suiça Bilan, de 2 de Abril de 2012, Fawaz Gruosi citou a Endiama, a empresa-mãe da Sodiam, “controlada pelo Estado angolano, que explora as minas de diamantes” como um dos investidores, através da Victoria Holding.

    Referia-se, sem mencionar o nome, à Sodiam, uma vez que se trata da única empresa que tem os diamantes como objecto de negócio e fonte de rendimento. A Sodiam beneficia do direito exclusivo de comercialização para o exterior do país de todos os diamantes produzidos em Angola: logo, detém o monopólio de um negócio anual avaliado em mais de US $1 bilião.

    A resposta do português Mário Silva, o principal gestor da fortuna de Isabel dos Santos, não faz sentido. A Victória Holding tem uma participação do Estado angolano no valor de 50 por cento. Como poderia então ter fechado negócio sem engajar Angola, quando o Estado angolano é o sócio paritário?

    A Reacção de Sindika Dokolo

    Reagindo, a 3 de Dezembro passado, ao anúncio do autor de que estava a investigar a participação de Sindika Dokolo como testa-de-ferro na aquisição da De Grisogono, este afirmou ao diário português Jornal de Negócios o seguinte:
    “Em relação ao investimento mencionado e tendo em conta que Angola tem um enorme potencial de matérias preciosas, diamantes, ouro, etc., faz todo o sentido do ponto de vista estratégico querer estender a sua presença desde a fase de exploração até ao mercado internacional do luxo, procedendo-se desta forma a uma integração vertical de toda a cadeia de valor.”

    Mário Silva não deve, portanto, ter lido as declarações do vendedor das acções, Fawaz Gruosi, e de Sindika Dokolo, que confirmam a canalização de diamantes angolanos em todo o negócio. Na realidade, o gestor de Isabel dos Santos assinou documentos, em posse de Maka Angola, que confirmam o envolvimento da Sodiam no negócio. Mário Silva optou apenas pela mentira.

    Sindika Dokolo explicou também o seguinte:
    “Já não há sectores de actividade onde os africanos não possam competir em igualdade ao nível global. Aliás, permita-me recordar que a Cartier pertence a um sul-africano. Não vejo portanto o que choca quando investidores angolanos seguem a mesma estratégia de sucesso.”

    Os registos de constituição da Victoria Holding e da Victoria Limited indicam apenas a nacionalidade dinamarquesa de Sindika Dokolo. O genro do presidente José Eduardo dos Santos não tem utilizado as suas nacionalidades congolesa e angolana para promover a afirmação dos investidores africanos no Ocidente. Fá-lo apenas como europeu.

    Por outro lado, a preocupação maior do africano não deve ser a sua afirmação no mundo desenvolvido, mas, sobretudo, o respeito ao próximo.

    Não consta que Sindika Dokolo ou algum membro da família Dos Santos alguma vez tenha manifestado preocupação pública com a violação sistemática e atroz dos direitos humanos nas Lundas, decorrentes da exploração dos diamantes e directamente relacionadas com esta actividade. Pelo contrário, a família directa e indirecta de José Eduardo dos Santos é a principal beneficiária dessa situação.

    Para além da violência perpetrada contra as comunidades locais, a extrema miséria e a exclusão social mantêm a maioria das populações dessa região em condições de vida sub-humanas.

    Aliás, o regedor Capenda-Camulemba disse recentemente em Lisboa: “Fico muito envergonhado quando ouço falar das Lundas… Temos esta riqueza toda, mas ficamos só com os buracos.”

    Durante a campanha eleitoral, em Setembro de 2012, o presidente José Eduardo dos Santos afirmou que as receitas do maior projecto diamantífero em Angola, que produz 70 por cento dos diamantes do país, não serve sequer para construir certos troços de estrada na região.
     
    
”O dinheiro que o governo arrecada de Catoca por ano não chega sequer para pagar as estradas que estamos a fazer agora”, disse Dos Santos.

    Falta de Transparência

    A comprovada parceria entre Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e a Sodiam configura um acto grosseiro de conflito de interesses, de corrupção e de nepotismo por parte do presidente da República.

    O presidente da República é quem nomeia e exonera o conselho de administração da Sodiam, assim como o seu presidente, e de acordo com a sua conveniência. Outrossim, a empresa apenas pode realizar investimentos e parcerias de acordo com as políticas e estratégias definidas pelo chefe do Executivo, ou seja, José Eduardo dos Santos.

    A Sodiam, enquanto empresa estatal, deve publicar anualmente o seu relatório de contas, à semelhança da Sonangol, mas a verdade é que nunca o fez. O mesmo se passa com a Endiama, a concessionária nacional de diamantes, que detém 99 por cento da Sodiam.

    Sindika Dokolo afirmou ainda que este “modelo angolano daqui a 20 anos será celebrado de forma unânime”.

    Após ter suplantado o modelo de Mobutu enquanto tirania mais corrupta e venal de África, o modelo de José Eduardo dos Santos eventualmente reunirá consenso como o mais avançado e desenvolvido dessa mesma liga.

    quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

    LISBOA: General Dino: A figura do momento

    General Dino: A figura do momento


    Lisboa – O Consultor da Casa de Segurança da Presidência angolana, general Leopoldino Fragoso do Nascimento, é a figura do circulo presidencial que há várias semanas virou o centro das atenções na imprensa estrangeira. A revista americana Foreign Policy trata-lhe por “o homen dos 750 milhões”, uma referência aos seus activos no estrangeiro.
    Fonte: Club-k.net
    Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
    20.02.2014
    “Dino”, como é também tratado, era até pouco tempo uma figura que dele apenas se conhecia o nome. Sabia-se apenas que o seu nome correspondia a um Chefe das Telecomunicações da Presidência e que estava sempre presente nas deslocações presidenciais ao exterior. Ele seria exonerado das comunicações e substituído por Filipe Figueiredo, um brigadeiro do Estado Maior das Forças Armadas Angolanas.
    Logo a seguir, o general  começou a cumprir missões privadas para o Presidente José Eduardo dos Santos.  Há quatro anos,  foi orientado a comprar 12 quintas em Portugal, de uma só vez, a favor dos interesses económicos de JES. Gesto este que foi visto como uma forma de conservarem dinheiro em bens imobiliário no estrangeiro.
    Este antigo estudante de telecomunicações militares na Bulgaria, está agora em representação de JES, presente em todos os negócios ligados à dupla “Kopelipa” e Manuel Vicente a vários títulos – incluindo negócios comuns.  
    Em função disso, aventa-se que da fortuna de JES (estimada em 10 bilhões de dólares), pelo menos um bilhão de dólares esta sob custódia do general Leopoldino Fragoso do Nascimento.
    Resumo de alguns dos seus aplicativos empresariais
    - Em 2010 a companhia Trafigura – o terceiro maior comerciante privado mundial de petróleo e metais – vendeu 18,75% das acções da sua subsidiária "Puma Energy International" à companhia de investimentos "Cochan PTE" por 213 milhões de dólares. Devido a um aumento das acções em 2011, o valor daquelas acções está agora avaliado em 750 milhões de dólares.
    - É accionista da Unitel, através da Geni, que detém 25% do capital da operadora.
    - Acionista da Damer Indústria S.A, no qual detém quota equitativa com o general “Kopelipa” em associação a Manuel Vicente, então presidente do Conselho de Administração da Sonangol.
    - Acionista da TV Zimbo em associação com o general “Kopelipa”, e Manuel Vicente, da Sonangol.
    - Acionista do grupo Medianova, cujo investimento inicial ultrapassa os 70 milhões de dólares. O general Kopelipa e Manuel Vicente são os outros donos com quotas iguais.
    - Sócio da petrolífera Nazaki Oil & Gás, que tem também como proprietários, com quotas iguais, o chefe da Casa Militar, general “Kopelipa”, e  Manuel Vicente.
    De general a celebridade
    “Dino”, de quem não se conhecia até um ano atrás o seu rosto, foi recentemente submetido a uma sessão de fotográfias feitas por um profissional para incluir no webiste do grupo Biocom que o apresenta como o Presidente do Conselho de Administração.
    A transformação do mesmo (de general a celebridade) esta a ser interpretada como estando a obedecer cálculos destinados a torna-lo nas “atenções popular” de forma a desafogar Isabel dos Santos, a primogénita de JES.
    Esbanjamento e uso de aviões da Sonangol para fins privados
    Do lado de estravagância apenas sabia-se que tem o costume de fazer-se transportar num dos luxuosos aviões executivos Falcon 7X, da Sonair, como fez em Abril de 2012 ao ir passar a Páscoa em São Paulo. O Brasil é o seu destino de eleição do general “Dino”, país onde o seu filho menor (único varão) sujeita-se as atenções dos profissionais da saúde.
    A exposição de figura milionária, sujeita ao general “Dino”, não é alheia a uma requintada festa de aniversário que ele recentemente realizou na Ilha do Mussulo, em Luanda, em homenagem a uma das suas filhas, Denise Nascimento, estudante na Inglaterra. 
    A estravagância com envolta da festa (refeição servida pelo catering do Restaurant Grill) acabou por exibir publicamente a sua casa naquela península. A casa esta a ser descrita como uma das “jamais vistas em Angola”. A mesma acolhe um campo de ténis, basquete, Andebol, e uma discoteca “DIVAS” que corresponde as inicias dos seus filhos.

    LUANDA: Open Society: Relatório de implementação do pacto internacional dos direitos civis e políticos

    Open Society: Relatório da implementação do pacto internacional dos Direitos Civis e Políticos


    Luanda - A Fundação Open Society – Angola em parceria com o Centro dos Direitos Civis e Políticos – organização baseada em Genebra, , promoverão uma Conferência de Imprensa para apresentar os resultados da visita do Membro do Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Patrick Mutzenberg, quinta-feira, dia 20 de Fevereiro,na Sala de Conferência da União dos Escritores Angolanos, das 14H30 às 15H30.
    Fonte: Open Society
    Divulgação: Planalto De Malanje Rio capôpa
    19.02.2014
    Grau de implementação das recomendações do Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas

     
    A visita dos membros do Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas tem como objectivo avaliar, in loco, o grau de implementação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos..
    Durante a visita de 2 dias, a delegação manterá contactos com Instituições do Estado, a Comissão Parlamentar dos Direitos Humanos, Instituições Académicas e Organizações da Sociedade Civil..
    Para mais informações: contactar o Oficial de Programa de Direitos Humanos & HIV/SIDA da Fundação Open Society-Angola, através do terminais telefónicos 923 424 860 ou através do endereços electrónicos: emiliom@osisa.org
    A Fundação Open Society – Angola representa a Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA) , que é parte de uma vasta rede de fundações no mundo sem fins lucrativos, que promovem e sustentam os valores, ideiais, práticas e instituições de uma sociedade aberta, com o propósito de estabelecer uma região austral com democracias vibrantes e tolerantes em que os povos são livres da exclusão e desigualdade social, entendem e exercem os seus direitos e deveres e participam activamente em todas as esferas da sua vida.
    O Centro dos Direitos Civis e Políticos (CCPR) foi  projectado para ser uma estrutura informal,  em pequena escala, com uma pequena equipa, com sede em Genebra (Suíça) e pontos focais em diferentes regiões do mundo. Visa a promover o papel e da participação das ONGs nos procedimentos de comunicação do Comitê de Direitos Humanos ,  reforçar as capacidades das ONGs e apoiar as suas actividades relacionadas com o Comitê de Direitos Humanos, incluindo o seguimento às observações finais do Comité.
    Luanda, 12 de Fevereiro de 2014

    MAPUTO: Moçambique prepara-se para rever Lei Eleitoral

    Moçambique prepara-se para rever Lei Eleitoral

    A Lei Eleitoral em vigor foi aprovada em Fevereiro de 2013 e nunca foi reconhecida pela Renamo.
    Maputo - Mocambique
    Maputo - Mocambique

    TAMANHO DAS LETRAS
     
    Fonte: VOA/William Mapote
    Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
    Em Moçambique, a Assembleia da República inicia amanhã o processo da revisão da Lei Eleitoral.

    Trata-se de um instrumento legal visto como um dos principais obstáculos a superar, para acabar com a tensão político-militar que já provocou várias mortes e destruiu inúmeros bens em algumas zonas do país.

    A proposta que vai a debate foi remetida pela bancada parlamentar da Renamo e resulta do entendimento político saído do diálogo com o partido Frelimo.

    A Assembleia da República diz ter aceite adicioná-la na agenda, de forma quase que extraordinária, em nome da paz e da estabilidade nacionais.

    A chefe da bancada da Renamo Maria Angelina Enoque manifesta o desejo de que os debates em volta da matéria sejam movidos pelo bom senso e que produzam consenso.

    A Frelimo, que detém a maioria parlamentar, diz estar preparada para flexibilizar a aprovação do pacote e o MDM, terceiro partido com assento no parlamento, reclama ter sido excluído das decisões fundamentais que resultaram nos consensos, mas também assegura que, em nome da paz, vai manter um debate construtivo.

    A Lei Eleitoral em vigor foi aprovada em Fevereiro de 2013 e nunca foi reconhecida pela Renamo, que chegou a boicotar a sua aprovação, depois de ter-se abstido dos debates, alegando que não transmitia garantias de órgãos eleitorais isentos que garantissem actuações transparentes.

    Uma das exigências principais da Renamo era que a composição dos órgãos eleitorais respeitasse a paridade em termos de número, entre os dois maiores partidos com assento parlamentar.

    LUANDA: Continua o silêncio sobre o desaparecimento de Kassule e Kamulingue

    Continua o silêncio sobre o desaparecimento de Kassule e Kamulingue

    Familiares dizem que "está tudo parado" e activistas começam a duvidar que os verdadeiros responsáveis pelos raptos e assassinatos serão levados à justiça.
    RAS
     
    Fonte: VOA/Manuel José
    Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
    Quase dois anos após o desaparecimento dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Kassule as suas famílias continuam a desconhecer o paradeiro dos corpos e queixam-se da falta de informação sobre o caso.

    Com efeito, após a procuradoria ter confirmado há várias semanas a prisão de diversas pessoas alegadamente envolvidas no crime há agora um silêncio que preocupa activistas que dizem duvidar agora que os verdadeiros responsáveis sejam levados à justiça.

    Horácio Essule, pai de Alves Kamulingue, disse que os familiares não sabem o que se passa com as investigações: "Nenhuma informação temos, as coisas até agora, senhor jornalista, estão paradas".

    Horácio Essule e familiares aguardam também  pelas ajudas prometidas pelo Estado angolano, sobretudo ligadas às matrículas escolares dos órfãos de Kassule e Kamulingue que tardam em chegar.

    "Eles garantiram que iriam ver esta parte do estudo das crianças, até agora estão sem estudar e nós não temos possibilidades, para poder matricular os nossos netos", lembrou.

    Outra preocupação prende-se com a assistência às viúvas, como um lugar para morar, alimentação e outros apoios.

    "As nossas noras estão em casas de renda temos que contribuir para pagar a renda da casa ou comprar comida e às vezes as crianças adoecem, vamos fazer como? Estamos assim encostados, honestamente falando o Estado nunca nos apoiou," lamentou.

    Quanto ao processo, de acordo com o advogado Salvador Freire, corre os seus trâmites na Procuradoria com várias pessoas a serem interrogadas, mas a activista cívica Ermelinda Freitas diz não acreditar que este processo produza algum resultado.

    "Acho que este caso não está a ser resolvido, eles prendem várias pessoas só para tapar os nossos olhos”, disse Freitas que afirmou não acreditar que os agentes dos serviços de informação que foram presos tenham agido por conta própria.

    “Alguém ordenou de cima, nenhum militar ou polícia sai de casa com a ideia de apanhar aquela pessoa e matar, por trás deles há pessoas graúdas", acrescentou, dizendo ainda que "o problema da impunidade ainda é uma realidade na nossa justiça”.

    "Não há nenhuma lei que caia sobre esta gente, polícias ou nem nada, eles fazem o que querem e ficam impunes, enquanto a justiça estiver dependente do Presidente da República não vai haver justiça no nosso país”, concluiu Ermelinda Freitas.

    NAMIBE: Governador do Namibe declara guerra ao enriquecimento fácil

    Governador do Namibe declara guerra ao enriquecimento fácil

    Unita pede a Rui Falcão que entregue os acusados à justiça e promova a mudança da lei da terra.
    Angola Rui Falcão Pinto de Andrade
    Angola Rui Falcão Pinto de Andrade
    TAMANHO DAS LETRAS 
    Fonte: VOA/Armando Chicoca
    Divulgação: Planalto De Malanje Rio Capôpa
    Os funcionários do Estado que ao longo dos últimos anos dedicaram-se ao negócio ilícito de venda de terrenos poderão ver seus contratos de trabalho rescindidos com o governo da província do Namibe.
    O Município do Namibe, que agora tem um novo inquilino “João Guerra de Freitas”, ex-Administrador do Município do Tombwa, i no quadro das recentes movimentações exercidas pelo executivo de Rui Falcão, é apontado como sendo um dos municípios mais propensos a supostos actos indecorosos de negócios ilícitos de terrenos, existindo, inclusive nomes de funcionários do estado implicados na prática de tal acção.

    O governador Rui Falcão diz que não haverá contemplações para com esses funcionários do Estado que, no seu entender, prejudicaram cidadãos honestos com coimas inexistentes, se não apenas ganância pelo lucro fácil.

    O secretário Provincial do Namibe do Partido do galo negro, Ricardo Ekupa de Noé “Tuyula” reagiu dizendo que a situação é deveras grave. O político sustenta que o vício de venda de terrenos no país e na província começou com a aprovação a lei da terra, uma lei que no entender da UNITA devia ser propriedade do povo.

    Na óptica do dirigente dos maninhos no Namibe, o mais sensato seria o próprio governador Rui Falcão encaminhar o caso aos órgãos judiciais, já que existem nomes dos funcionários indiciados no crime de apropriação de coisa alheia e venda ilegal de terrenos, ao invés de encomendar o protagonismo do novo Administrador do Município do Namibe resolver este problema.
    Tuyula diz ser chegado o momento de se ultrapassar o hábito de crucificar os pequenos a pagar pelos erros dos peixes graúdos.

    O dirigente do partido do galo negro na província sugere que seja instaurado um processo de investigação para esclarecerer os factos, uma vez que, além dos funcionários do Estado catalogados, também existem indícios de cumplicidade de altas individualidades do governo e do partido no poder, na província do Namibe neste mesmo negócio.