domingo, 24 de abril de 2016

LUANDA: Os Afectos entre Portugal e o Racismo Encapotado

Os Afectos entre Portugal e Angola e o Racismo Encapotado

Fonte: makaangola/Rafael Marques de Morais24 de Abril de 2016
Tem sido recorrente, sobretudo pela voz de negociantes, políticos e consultores portugueses, a romantização das relações entre Angola e Portugal. No programa “Expresso da Meia-Noite”, da SIC, Vítor Ramalho, secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e ex-deputado do Partido Socialista afirmou mesmo que a ligação entre os dois países “é uma relação de paixão em que se entrecruzam afectos”. O que quer isto dizer?
Trata-se de uma narrativa que pretende, acima de tudo, limpar a história. Portugal escravizou e colonizou os angolanos durante 500 anos. Ao longo desses cinco séculos, houve, claro, uma evolução nas relações entre Portugal e o que é hoje Angola. Os portugueses deixaram de maltratar os angolanos como bestas de trabalho, sem humanidade, e passaram, com o colonialismo, a tratá-los como seres inferiores – os indígenas. Ou seja, como bestas remuneradas.
Nas relações actuais entre estados soberanos, há uma cumplicidade atroz entre os governantes portugueses e a sua elite de negócios no apoio à pilhagem de Angola pelo poder do MPLA e de José Eduardo dos Santos, a sua família e o sistema de repressão que os sustenta. Grande parte do saque é investido em Portugal, e isso é muito positivo para o país. É quanto basta.
Disponibiliza-se todo o afecto necessário para o dinheiro e para os recursos angolanos, e nenhum afecto para o povo. Buscam-se todas as justificações para defender o sofrimento dos angolanos como algo natural, decorrente da guerra, do seu estado “africano”.
Porque se recorre, então, com o maior dos cinismos, ao argumento das paixões e dos afectos? Lembrei-me de um episódio ocorrido há alguns anos numa das minhas visitas a Lisboa.
Uma ilustre figura da sociedade portuguesa convidou-me para jantar num dos mais sofisticados hotéis em Lisboa. Queria dar-me conta do seu grande empenho pelo bem dos angolanos. A ideia animou-me. Durante o jantar, essa ilustre personalidade relatou-me as diligências que encetara junto do então presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, na altura um português, para que usasse dos seus poderes no sentido de promover a paz em Angola. O meu anfitrião perorou sobre a necessidade de se alcançar finalmente a paz em Angola, o país onde Portugal deixara a sua maior invenção durante as aventuras coloniais. Que invenção?, perguntei. O meu interlocutor convidou-me, então, para no dia seguinte ir ao seu escritório e tomar contacto directo com o registo da sua diligência. Assim, ficaria a saber pelos meus próprios olhos.
No seu gabinete, abriu o cofre e de lá retirou uma cópia certificada de uma carta, muito bem preservada num plástico, e deu-ma a ler. No documento, argumentava que a maior invenção de Portugal, do seu heroísmo colonial, era “a mulata”. Fiquei sem palavras. Entusiasmado, o ilustre fez uma fotocópia e ofereceu-ma com todo o seu afecto. Recebi, impotente e incrédulo.
Sozinho, li e reli a carta. Pensei e repensei. Finalmente, sempre incrédulo, reagi. Queimei a carta, para queimar também os sentimentos negativos que me invadiam e a humilhação que sentia.
Ocorreu-me o exemplo da África do Sul, que gerou uma das maiores comunidades miscigenadas em África, mais vasta do que a angolana. Os brancos implementaram e mantiveram, até há 22 anos atrás, o hediondo regime do Apartheid.

Senti-me igualmente insultado quando, no mesmo “Expresso da Meia-Noite”, Vítor Ramalho recorreu também a uma teoria pseudo-antropológica para defender a ideia de que a corrupção é algo natural ou esperado “nas famílias africanas”. “A família africana tem outro conceito que não o nosso”, afirmou Vítor Ramalho, procurando ao mesmo tempo buscar legitimidade para os seus argumentos com o facto de ter nascido em Angola. Quer dizer, conhece melhor esse “outro” africano. É a questão do preto, sem mais conversas.
Tudo isso serve para justificar o poder político-económico de Isabel dos Santos em Portugal, detentora de uma fortuna cuja origem é comprovadamente a pilhagem de Angola. Para reforçar a sua tese da “família africana”, citou também o caso de Valentina Guebuza, filha do ex-presidente moçambicano Armando Guebuza. Ou seja, os líderes africanos aparentemente saqueiam por amor às suas famílias.
As “famílias africanas” têm sofrido horrores precisamente por causa de líderes como José Eduardo dos Santos, que não olham a meios para roubarem e reprimirem o seu próprio povo, para impedirem o seu desenvolvimento humano e o usufruto da liberdade.
Tais tendências têm origem na legitimação do abuso de poder e no contexto histórico. Não são “naturais” às "famílias africanas". Por outro lado, tais líderes, como José Eduardo dos Santos, mantêm a mentalidade e o estatuto de inferiores, que precisam sempre de agradar os seus superiores europeus, reproduzindo os piores métodos do colonialismo contra os seus próprios povos.
Recorrendo ao exemplo do circo do congresso brasileiro, bem se pode descrever esta relação apaixonada entre políticos portugueses e angolanos como um voto pelo sim ou pelo não por parte da classe dominante portuguesa.
Sim à lealdade a José Eduardo dos Santos e à sua mimada filha Isabel, pelo dinheiro, pelo paternalismo, pela família, pela bajulação e pelo oportunismo.
Não à liberdade do povo angolano, ao seu bem-estar e ao respeito pelos seus direitos elementares, pelo racismo, pela família, pelo neocolonialismo e pela ditadura.
Os argumentos defendidos pelo político português Vítor Ramalho ofendem a honra e a dignidade de qualquer cidadão africano de bom senso.
Basta! É hora da palavra.


sábado, 23 de abril de 2016

LUANDA: Diário de um sobrevivente do Massacre do Monte Sumi

Diário de um Sobrevivente do Massacre do Monte Sumi

Fonte: Makaangola/Rafael Marques de Morais 21 de Abril de 2016
O sobrevivente Raul Xavier, de 25 anos, narra a sua história de sobrevivência.
Raul Xavier, de 25 anos, foi dos primeiros a acorrer em socorro do seu líder, José Julino Kalupeteka, a 16 de Abril de 2015. Escondido no tecto da casa de Kalupeteka, acabou por testemunhar o massacre do Monte Sumi, sendo atingido com um tiro que lhe trespassou o tornozelo direito.
O primeiro aniversário do massacre dos peregrinos da seita “A Luz do Mundo” passou despercebido. Dias antes, a 5 de Abril, Kalupeteka, o líder da seita, foi condenado a 28 anos de prisão pelo Tribunal Provincial do Huambo, devido ao sangue derramado de oito agentes policiais e de segurança mortos durante a operação.

Maka Angola publica o primeiro de uma série de relatos de sobreviventes, de modo a assinalar a data e contribuir para um melhor entendimento do que realmente se passou.
O depoimento
Naquele dia, vestido de camisa preta, casaquete preto, calças jeans e chuteiras, Raul Xavier encontrava-se numa roda de conversa, juntamente com muitos outros fiéis, na área dos “bate-chapas”, o conglomerado de casotas de chapas de zinco, onde se alojavam os peregrinos.
Perto das 15h00, “demos conta de que o sítio já estava cercado pela Polícia de Intervenção Rápida e tinham os canos apontados para os bate-chapas”, relata o crente. A testemunha afirma ter visto também uma carrinha, de cor azul escura, “com uma metralhadora grande montada na carroçaria apontada contra o areal” [onde se reuniam os fiéis]. O outro carro trazia cães.
Um grupo de oficiais dirigiu-se ao local onde se encontrava Kalupeteka, junto à sua residência de alvenaria, a certa distância dos “bate-chapas”. “Ouvimos um disparo. Não vimos. Então correu a palavra de que a polícia estava a disparar contra o profeta. Ouvimos que o disparo foi contra o corpo do profeta e era mesmo para matá-lo, quando quatro agentes tentavam segurá-lo. Só por um milagre não foi atingido”, narra a testemunha.
Após o disparo, segundo Raul Xavier, deu-se início ao tiroteio. “Apanhei um tiro no pé, vi alguns a cair [baleados]. Fui o primeiro a ser atingido pelos disparos. Os outros vieram socorrer-me e puseram-nos sentados, encostados à parede da casa do profeta. Éramos seis feridos”, revela.
“Quando os fiéis viram que a polícia estava a matar, aí foi mesmo correr contra eles. Aí era mesmo Deus. Só Deus. Eles [polícias] estavam a disparar contra nós e víamos os canos das armas, o vapor e o fumo. Não víamos as balas”, enfatiza o jovem.
Raul Xavier explica como então um grupo de fiéis se apossou de paus e outros objectos que conseguiram encontrar ali à mão. Com harmonia e desespero em simultâneo, conforme descreve o próprio, o grupo correu para a morte, entoando um hino de fé contra os agentes que disparavam.
Afirma ter testemunhado a pancadaria desferida contra um dos elementos da Polícia Nacional. “O polícia implorava para não o matarem. Gritava ‘não nos matem só, fomos mandados.’”, e o grupo continuou, tombando à medida que prosseguia.
“Os polícias levaram câmaras de filmar. Entraram em formação V e o operador de câmara estava posicionado junto ao carro que tinha o armamento grande”, prossegue. Raul Xavier faz uma pausa. Lamenta o que se passou no julgamento do seu líder e desafia as autoridades: “Eles deviam apresentar os vídeos que filmaram durante o massacre. É só vergonha.”
Mesmo que a comparação pareça desenquadrada, o interlocutor recorre à bíblia para explicar a coragem dos seus correligionários: “Um homem de Deus, mesmo com pedras, pode fazer frente a quem tenha armas. É como o David, que derrotou o Golias. Não foi o nosso poder, a nossa vontade, mas a força divina que nos fez aguentar.”
“Segundo a revelação divina feita ao profeta [Kalupeteka], nós só podíamos usar os paus. Não podíamos tocar em armas”, enfatiza o fiel.
Por volta das 20h00 do mesmo dia, três camiões Kamazes chegaram ao local, levando dezenas de efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) para apoiar a operação da PIR.
O hino da morte
A sorte de Avelina, de 24 anos, e dos filhos Nandinho, de seis anos, e Ismael, de três anos, tornou-se para Raul Xavier numa preocupação maior do que a sua própria vida. O que teria acontecido à esposa, então grávida de nove meses, que se encontrava nos “bate-chapas”?
“Foi nessa altura que eu e o Samy, que apanhou um tiro no peito, no lado direito, subimos para a cobertura [de chapas] da casa do profeta. Escondemo-nos lá.” Raul Xavier lamenta que “a bala não saiu até hoje”, do peito de Samy.
Raul Xavier refere ainda como agentes da PIR encontraram quatro dos seis feridos sentados junto à casa de Kalupeteka. “Pediram-lhes para cantarem o hino que estávamos a cantar no momento em que iniciou o tiroteio. Depois despejaram-lhes em cima uma rajada. No dia seguinte começaram a matar todos os feridos e sobreviventes que encontravam.”
Assistindo ao horror, Raul Xavier e Samy decidiram arriscar a fuga. Na noite de 17 de Abril, mais de 24 horas depois do início do tiroteio, os dois desceram das chapas.
“Nós estávamos no meio deles. Saímos mesmo assim a arrastar-nos, até ao monte.” O então fugitivo descreve como passaram, na caminhada, por um reservatório de água onde “o mano Samy descalçou os botins [botas de borracha] dele e os encheu com água para bebermos”.
Pelo caminho também passaram por uma lavra da seita, onde tiveram tempo para recolher sete espigas de milho, duas abóboras e algumas batatas renas, que assaram num dos fornos que havia pelas lavras e por sorte estava ainda quente. Após um dia escondidos em arbustos, com o farnel preparado, a dupla buscou refúgio em lugar mais seguro, onde passaram sete dias.
“Deus é aquele!”, repete Raul Xavier. É assim que explica como o Samy, com uma bala alojada no peito, e ele próprio, com o tornozelo fracturado, conseguiam sobreviver.
“A minha situação era mais complicada, porque a bala partiu um osso no tornozelo e não se podia sarar a ferida. Usávamos uma planta medicinal, iumbi, que ajudava como desinfectante”, explica.
O sobrevivente sublinha que os militares montaram várias emboscadas na lavra, para capturar os fiéis escondidos que procuravam alimentos, numa operação apoiada por helicópteros. “Nós estávamos muito próximos deles [dos militares]. Ao sétimo dia, subimos o Monte Sumi.”
Passaram a noite no cimo do monte, aterrados com o movimento frequente de helicópteros. Ao amanhecer, conta, caminharam até à área do Coquengo, a norte do monte.
“Ali ficámos 16 dias sem ver pessoas. Só víamos os helicópteros a passar”, sublinha Raul Xavier.
Durante as duas semanas, os dois amigos alimentaram-se apenas de mel, três mandiocas e algumas goiabas recolhidas durante a caminhada. Acamparam numa zona plana, ao ar livre, próxima de um riacho.
No último dia, “vimos os militares a transportarem os bens que tinham saqueado no Monte Sumi”. Viram também um aldeão em busca de lenha junto do esconderijo, a céu aberto.
Raul Xavier notou, então, que, com a proximidade dos soldados e do aldeão, a sua segurança e do seu companheiro continuavam em risco. “Eu tinha dois telefones e tinha reservado ‘um pau’ de carga. Liguei aos nossos irmãos, a informar sobre a nossa posição, e eles foram buscar-nos. Circulámos mesmo de dia. Deus protegeu-nos e ninguém reparou na nossa presença até sairmos de lá”, conclui.
Raul Xavier reencontrou a esposa, Avelina, já na cidade do Huambo, e conheceu o Nunda, seu filho recém-nascido. No dia do massacre, a esposa caminhara toda a noite até à sede do município da Cáala, na companhia de um grupo de fiéis. Encontrou refúgio em casa de membros da seita, deu à luz no dia seguinte e foi denunciada por um informador. Na sequência desta denúncia, foi detida pela polícia, juntamente com outros membros da seita. Os homens foram levados, as mulheres recebiam castigos... Avelina teve sorte: alguns membros da seita deram-lhe 1000 kwanzas para apanhar um carro que a levou até à cidade do Huambo.

LUANDA: Recluso Ateia Fogo na Cadeia de Viana em Protesto

Recluso Ateia Fogo na Cadeia de Viana em Protesto

Fonte: Makaangola19 de Abril de 2016
O recluso Adão António, mais conhecido por Cara Bom, ateou ontem à tarde fogo nos colchões da cela de castigo, na Comarca de Viana, onde se encontrava há 25 dias.
Segundo fonte do Maka Angola, na cadeia, o jovem causou incêndio na cela, do Bloco D, Ala A, para protestar contra o excesso de castigo que, segundo as regras da prisão, estabelecem um máximo de 21 dias em cela solitária.
A exígua cela solitária estava superlotada com um total de seis detidos. Um dos detidos na solitária contou ao Maka Angola que Adão António exigia o seu retorno à cela comum, após ter cumprido os dias de castigo. Por sua vez, segundo a testemunha, os agentes dos serviços prisionais alegavam a falta de espaço nas celas comuns para o recluso.
De acordo com os detidos, enquanto os colchões improvisados ardiam, os agentes procuravam pelos extintores e depois como saber usá-los. Os reclusos tinham molhado as roupas antes da acção de protesto. Alguns reclusos contaram ao Maka Angola que os castigados entraram em pânico quando as chamas na cela atingiram proporções alarmantes e perigavam as suas vidas.
Enquanto gritavam por socorro,  segundo o depoimento de um recluso, a responsável pelo Bloco D, da Prisão de Viana, intendente Maria Alice, “filmava o incidente com o seu telemóvel”. Ante o aparente descaso da responsável e a inépcia dos seus agentes, um dos presidiários recebeu um dos extintores e apagou o fogo.
A cela queimada é contígua às celas onde se encontram nove dos condenados do Caso 15+2.
Maka Angola contactou o porta-voz dos Serviços Prisionais, Menezes Cassoma, que confirmou o incidente. “O recluso em causa é reincidente de tais práticas em atear fogos”, disse o oficial.
Menezes Cassoma afirmou que Adão António “será submetido a medidas correctivas, porque destruiu património do Estado e pôs em causa a vida dele e de outros reclusos”.

terça-feira, 19 de abril de 2016

LUANDA: O DITADOR NARCISISTA

O DITADOR NARCISISTA
A politica é o exercício daquilo que é de todos e para todos, daí a generosidade é a essência material da sua natureza. A politica não pode representar uma inútil miscelânea medieval assente nalguma paralisante conjunção entre a corrupção e o abuso de poder.
O PAÍS NÃO PODE MAIS CONTINUAR NAS MÃOS DE UM DITADOR NARCISISTA MALIGNO COMO JES, O REGIME TERÁ QUE TORNAR-SE FORÇOSAMENTE INTELIGENTE E NAVEGAR PELA TRANSPARÊNCIA E SEM EXIGUIDADES CLAREAR A GESTÃO PÚBLICA PARA QUE SEJA APRESENTADA A PRESTAÇÃO DE CONTAS AO SOBERANO.
Fonte: club-k.net
19/03/2016
Faz-se necessário e urgente controlar os excessos de JES e do MPLA. Hoje, as praticas do MPLA ultrapassam de longe a linha do razoável a todos os níveis. JES e seus pares sequestraram o MPLA e por detrás dele atacam a fortaleza basilar dos fundamentos que fortalece os mecanismos geram as liberdades democráticas sustentadas na constituição.
AFINAL O QUE FEZ O DITADOR JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS DE RELEVANTE QUE ALTERASSE A VIDA DOS ANGOLANOS PARA MELHORIA DE SUAS VIDAS?
Além de enriquecer sua família e transformar a sua filha russa em bilionária, e na rainha da gatunagem, na mais corrupta de Angola e quiçá do mundo, que feitos de relevante importância para a vida dos angolanos terá realizado o presidente nos 37 anos de poder absoluto?
O INSUCESSO DAS REFORMAS POLITICO-ADMINISTRATIVAS, AGRAVADAS AOS SUCESSIVOS PLANOS SOCIOECONÔMICOS E FINANCEIROS MAL ELABORADOS E FRACASSADOS, CONDUZIRAM O PAÍS A UMA INSUSTENTÁVEL RUINA FATAL.
Toda essa panóplia se deve a incapacidade de José Eduardo dos Santos perceber o país e o povo que detinha nas mãos enlodadas de pegajosa sujeira. O país está completamente desajustado a caminho a caminho de uma angustiante depressão asfixiante. O país mais se parece viver um momento virtual surrealista, com o descarrilamento invulgar e inadmissível.
O PAÍS NECESSITA DE REENCONTRAR-SE, O POVO ANGOLANO PRECISA UNIR-SE E ALUDIR AO FENÔMENO QUE O UNIU NO PASSADO NA LUTAR PELA INDEPENDÊNCIA, HOJE VERGONHOSAMENTE MUTILADA. O PAÍS NÃO PODE RENDER-SE NEM DEPENDER CADA VEZ MAIS DO HOMEM QUE DEPREDA DIARIAMENTE A SUA EXISTÊNCIA COMO UMA NAÇÃO.
José Eduardo dos Santos é um ser humano terminantemente imprestável, não serve para nada, apenas serve para faz o verbo encher. JES faz o que não devia fazer, não ouve aos que deveria escutar, Ele relativiza tudo a sua pessoa e a sua vontade expressa. Ele transformou-se no seu único conselheiro, só a si mesmo se ouve. JES sente-se senhor absoluto da verdade expressa como se de um deus e dono exclusivo de Angola se tratasse.
O HOMEM DAS MENTIRAS E DAS INTRUJICES AGORA DIZ QUE VAI SAIR DA VIDA POLITICA ATIVA, DEBALDE. JES NÃO SABE FAZER OUTRA COISA SENÃO MENTIR E REFUGIAR-SE ESCUDADO NO MPLA PARA MANTER O PODER PELO PODER SOBRE RÉDEAS.
JES não deu cumprimento a nenhum dos programas de governo escrutinado no pleito eleitoral de 2012, no qual ostentava o slogan de crescer mais para melhor distribuir, o que realmente ouve após o escrutínio foi roubar mais para enriquecer a sua família e os amigos de saque nacionais e internacionais.
 A PROMESSA DE ESCALPELIZAR A CORRUPÇÃO ENDÊMICA QUE GRASSA EM TODA EXTENSÃO DO REGIME FOI POR ÁGUA ABAIXO. É EVIDENTE QUE ESSA PREMISSA JAMAIS SERIA CUMPRIDA, POIS, REMOVER A CORRUPÇÃO SERIA O MESMO QUE JES SANEAR-SE A SI MESMO.
A democracia foi um sonho abruptamente derrubado pelo imperador da corrupção, ao invés dela, JES introduziu a vontade dele acima da constituição, o sistema de governação no país está assente na corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e no nepotismo.
ATÉ O DIABO ESTÁ DE ACORDO QUE HAJA MUDANÇAS DRÁSTICAS PARA ALTERAR O RUMO QUE ANGOLA ESTÁ A SEGUIR. ATÉ O INFERNO CONCORDA QUE JES SE VÁ EMBORA E LEVE CONSIGO A SUA ENDIABRADA FILHARADA PARA LONGE DA VIDA DOS ANGOLANOS.
O problema único do diabo teme é o de perder o controle do inferno ao levar JES com ele para o ardente do inferno. O medo do diabo reside na eventualidade de JES ser mais popular que lúcifer no inferno com as praticas de torturas contra o povo angolano que de longe ultrapassam a imaginação da própria maldade encarnada no diabo.
TANTA É A MALDADE QUE ACABARAM POR AJUDAR OS ANGOLANOS A PERDER O MEDO, HOJE O POVO CONFRONTA A TIRANIA E ENFRENTA HOJE DE PÉ O VELHACO DITADOR.
Até a mesmo substituição do ditador da liderança do país, a mesma terá como condição sine qua non passar pela entronização no poder de um de seus filhos piratas.
O FALECIDO CANÇONETISTA PORTUGUÊS ZECA AFONSO TINHA RAZÃO QUANDO ENTOAVA O CÂNTICO QUE DIZIA, ELES COMEM TUDO E NÃO DEIXAM NADA. NO CASO ANGOLANO, ELES COMERAM E CONTINUAM A COMER TUDO E NÃO DEIXAM NADA.
A principal meta o programa do MPLA de JES seria o de desenvolver politicas de restauro da economia e consagrar o crescimento do “PIB” produto interno bruto, o que não aconteceu mesmo com os biliões adquiridos da exportação do óleo e dos diamantes. O MPLA delapidou o erário publico por completo e agora recorre ao FMI, que vergonha, eles comeram tudo sem deixar nada.
FORAM ENUMERAS ÁS ENCENAÇÕES NA CAMPANHA ELEITORAL EM 2012, E TUDO APENAS PARA PERPETUAR O DITADOR NO PODER.

Tudo não passou de balelas, não ouve desenvolvimento em nenhumas dessas propostas escrutinadas nas eleições passadas. O que houve isso sim foi o crescimento abrupto da corrupção a dignidade do cidadão foi torpedeada ao extremo e o povo foi severamente penalizado nos seus direitos mais elementares constitucionalmente defendidas na CRA.

LISBOA: Os Camaradas do Fundo Soberano de Angola e a Ligação Russa

Os Camaradas do Fundo Soberano de Angola e a Ligação Russa

Fonte: Makaangola/Rui Verde 19 de Abril de 2016
José Filomeno dos Santos (esq.) e o actual ministro das Finanças, Armando Manuel (dir.).Foram publicadas com relevo em variada imprensa algumas notícias sobre a estranha gestão do Fundo Soberano levada a cabo pelo filho do presidente, José Filomeno dos Santos, cognominado Zenú.
Ao que parece, o Fundo é gerido por um amigo suíço, que cobrará umas valentes comissões, no que é ajudado por um patriota alemão, Ernest Welteke, caído em desgraça por aceitar ofertas para assistir à Fórmula 1 no Mónaco, na companhia da sua jovem mulher de então.
O mais interessante que surgiu nessas divulgações, e que aqui aprofundamos, é a ligação russa.
Em 2013, através de uma off-shore chamada Renfin, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, nas Caraíbas, mas curiosamente auditada pela Ernst & Young da Rússia, o Fundo Soberano terá feito várias transferências de dinheiro com vista a obter uma percentagem do capital no Banco Center-Invest, sendo representado por Ernest Welteke.
O Banco Center-Invest é um pequeno banco russo, situado em Rostov-no-Don, no Sul da Rússia, e tem um rating B1 da Moody’s, ou seja, Muito Insuficiente, o que quer dizer “extremamente especulativo”. “Extremamente especulativo”, traduzido para português corrente, significa que se pode perder o dinheiro todo de um momento para o outro.
No conselho de administração do banco consta o nome de Ernest Welteke, o tal amigo do amigo de Zenú.
O Banco Center-Invest tem 153 balcões na Rússia e um escritório de representação em Moscovo, conta com 1512 empregados. No relatório de contas referente a Dezembro de 2015, afirma-se que “o rating de crédito da Rússia foi reduzido para níveis abaixo do grau de investimento. Este ambiente operacional tem um impacto [negativo] significativo sobre as operações do Grupo e a sua posição financeira. A Administração está a tomar as medidas necessárias para garantir a sustentabilidade do Grupo e das suas operações. No entanto, os efeitos futuros da actual situação económica são difíceis de prever e as actuais expectativas e estimativas da Administração podem diferir dos resultados efectivos.” Esta prelecção mais não revela do que graves preocupações por parte da própria instituição financeira visada acerca da evolução da situação económica e dos resultados que possa alcançar. E o facto é que, lendo os Relatórios e Contas, os lucros e dividendos parecem diminutos ou inexistentes.
A composição do capital do banco russo declarada é a seguinte:
25.25%: BERD (Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento)
20.65%: DEG (Organização alemã de suporte às economias em transição, com o apoio do sector privado)
24.43%: Fundadores do banco, Vasily Vysokov e Tatiana Vysokova
9.11%: Firebird Investment Fund
9.01%: Erste Group Bank AG
7.49%: Rekha Holdings Limited
De acordo com as informações reveladas pelos Panama Papers, será através da Rekha Holdings, sediada no Chipre, que a Renfin participará no Banco Center-Invest.
Curiosamente, este é um banco que tem como accionistas instituições financeiras oficiais ligadas a actividades políticas europeias lançadas ou reforçadas a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, em que a predominância alemã foi, e se mantém, fundamental. Ernest Welteke foi presidente do Bundesbank, o Banco Central Alemão, entre 1999-2004, e antes fora responsável pela pasta da Economia e Finanças no estado alemão do Hesse, tendo posteriormente assumido a liderança do Banco Central desse estado, antes de seguir para o Bundesbank.
Perante esta descrição do Banco Center-Invest e das suas ligações, fica a pergunta: o que faz o Fundo Soberano de Angola nas longínquas terras russas, num banco apoiado por fundos destinados às economias em transição do Leste Europeu e que seguramente não trará quaisquer dividendos?
Uma resposta possível: o Fundo Soberano de Angola está a fazer um favor ao amigo Welteke, que está ligado à empresa suíça Quantum, que por sua vez gere três mil milhões de dólares do Fundo Soberano de Angola.
Outra resposta possível: o Fundo Soberano de Angola está a retribuir a amizade manifestada pela União Soviética no tempo da guerra civil angolana, e por isso investe na Rússia como gesto de agradecimento.
Também poderá responder-se que o Fundo Soberano de Angola fez um investimento a longo prazo do qual espera receber os respectivos dividendos.
Finalmente, pode-se pensar que há aqui uma história mal contada e passível de mais investigação.
A verdade é que, se olharmos para o último relatório disponível do Fundo Soberano de Angola (2.º trimestre de 2015), não consta qualquer investimento na Rússia. Aliás, 79% da carteira de investimentos é referida como estando nos Estados Unidos da América. Os rendimentos de dividendos são quase inexistentes, e Angola pouco dinheiro tem realizado nas operações de compra e venda. Onde tem recebido algum rendimento é nos títulos de juros. Saliente-se ainda que os testes de esforço apresentados sugerem a possibilidade de perdas potenciais significativas. Isto é: há o risco de várias perdas nos investimentos do Fundo. Na realidade, estas perdas podem já ter acontecido.
O que mais se nota na análise dos elementos do Fundo Soberano de Angola é a ausência de informações e de dados concretos: os números são apresentados em agregado, as auditorias são inexistentes, não há quaisquer relatórios do Conselho de Fiscalização.
A leitura e análise dos elementos disponíveis provocam duas sensações: uma é a opacidade do Fundo Soberano de Angola, já que se desconhece quanto dinheiro realmente tem, onde está aplicado e quais os rendimentos já alcançados, alé
m de faltarem elementos de controlo; outra, ainda que meramente intuitiva, é que o Fundo Soberano de Angola está a perder dinheiro, caso contrário, os números tinham de revelar outra elasticidade.
Com investimentos escondidos na Rússia ou não, um facto é certo: tem de passar a existir controlo sobre o Fundo Soberano de Angola.
    

LUANDA: Policia Alveja Três Jovens em Manifestação no Caluquembe

Polícia Alveja Três Jovens em Manifestação no Caluquembe

Fonte: Makaangola18 de Abril de 2016
Três jovens foram atingidos a tiro pela polícia em Caluquembe, província da Huíla, na passada segunda-feira, durante uma manifestação pacífica organizada na sequência de decisões sobre o pagamento de propinas e contra a exoneração da direcção dos estabelecimentos de ensino do II Ciclo e Técnico Profissionais.
“Foram atingidos três jovens, dois dos quais se encontram internados nos hospitais da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), em Caluquembe; um terceiro elemento, não identificado, em estado mais grave terá sido evacuado para Lubango”,  segundo relatório da delegação do Sindicato dos Professores, a que oMaka Angola teve acesso.
De acordo com a mesma fonte, no dia 11 de Abril (segunda-feira), a polícia começou por prender, às oito da manhã, cinco estudantes que participavam numa "manifestação pacífica" pela abolição da propina recentemente decretada e contra a exoneração da direcção dos estabelecimentos de ensino de Caluquembe, a qual decorria “sem qualquer acto de vandalismo”.
Apesar de o grupo de cinco estudantes ter sido colocado em liberdade, a manifestação de estudantes, com idades entre os 13 e os 21 anos, manteve-se no local.
“A polícia, vendo a euforia dos alunos, começou a agredi-los, batendo com chicotes. Perante esta reacção da polícia, os alunos agarraram em objectos e contra-atacaram os agentes. Deste modo, como a polícia não conseguia controlar ou dispersar os alunos, por volta das 10h15 começaram os disparos, que duraram até à chegada de dois helicópteros da Polícia Nacional, vindos do Lubango por volta das 13h45, disparando para o ar”, relata a mesma fonte.
Os feridos são Paulo Alfredo Cabral, de 17 anos, aluno do curso de Ciências Económicas e Jurídicas no Colégio Novo Horizonte, no Caluquembe, que foi atingido na perna direita, junto ao joelho, embora já se encontre “fora de perigo”; e Cecília Camia Francisco, de 21 anos, aluna da Escola de Formação de Professores, que foi atingida na coxa direita.
“Esta encontra-se em estado mais delicado, pois a bala ainda não foi retirada. Segundo as enfermeiras, que não quiseram identificar-se, houve um terceiro elemento ferido, que terá sido gravemente atingido no pescoço, e que foi evacuado para o Lubango sem deixar registo junto do hospital, não se sabendo se é ou não aluno”, acrescentou o relatório do SINPROF.
No dia seguinte ao incidente, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, superintendente-chefe Paiva Chandala Tomás, negou inicialmente, à imprensa local, que os disparos tivessem sido efectuados por um agente policial. Na quarta-feira, o porta-voz reconheceu à TV Zimbo que o autor dos disparos era um agente da Polícia Nacional, já estava localizado e seria punido.
No entanto, várias fontes locais contactadas por Maka Angola indicam que o terceiro sargento Moisés Mununga, o presumível autor dos disparos, “continua a trabalhar normalmente”.
Uma autoridade local desabafou ao correspondente do Maka Angola que todas as administrações locais têm orientações superiores “para reprimir qualquer manifestação a todo o custo”.
Segundo o testemunho recolhido pelo Maka Angola, os incidentes ocorreram depois de uma reunião extraordinária no CMP – MPLA, sob presidência do administrador municipal, José Arão Nataniel Chissonde, que convocou todos os directores das escolas do II Ciclo e Técnico Profissional. Nessa reunião foi determinado que todos os alunos do II Ciclo e Técnico Profissional “devem pagar uma propina no valor 3000 kuanzas por mês, cada um”, dos quais 2000 kuanzas permanecem nas escolas e 1000 kuanzas vão para os cofres da Administração Municipal, servindo, segundo o administrador José Arão Nataniel Chissonde, para a compra de combustível para a iluminação pública.
José Arão Nataniel Chissonde determinou ainda que o aluno que não efectuasse o pagamento do imposto até ao dia 11 de cada mês ficaria impedido de assistir às aulas.
No mesmo encontro, depois de ter notado a ausência do director da Escola de Formação de Professores (EFP), Abel Pedro, que foi representado por um professor por ele indicado, resolveu o administrador suspender toda a direcção, sem que os seus elementos fossem ouvidos.  
“O administrador mandou um recado, dizendo que o director não voltasse à referida escola. Terminado o encontro, dirigiu-se à escola, levando consigo uma nova direcção e apresentando-a aos alunos, tendo reforçado que o director anterior nunca mais voltava a pôr os pés na instituição, nem que fosse pintado de ouro”, relata o contacto do Maka Angola no município.
“Caso o dito director voltasse, ele próprio deixaria de ser administrador do município”, indica o relatório, referindo-se ao conteúdo das declarações feitas no local.
Após o anúncio referente à nova propina obrigatória e perante a exoneração da direcção, os alunos, pela voz do presidente da associação de estudantes, solicitaram esclarecimentos. O administrador José Arão Nataniel Chissonde limitou-se a responder que a decisão já estava tomada e "que não havia explicações a dar a ninguém".
Foi na sequência desta atitude autoritária que os alunos se revoltaram e decidiram protestar contra a nova direcção, exigindo o regresso dos responsáveis que tinham sido afastados de modo arbitrário.
Diante desta reacção dos alunos, a nova direcção não aceitou ser empossada. Consequentemente, os presidentes das associações de estudantes dos cinco estabelecimentos de ensino do II Ciclo e Técnico Profissional reuniram-se e decidiram protestar frente à administração municipal de Caluquembe.
No dia em que se registaram os incidentes e o episódio de violência policial, segunda-feira, 11 de Abril, o administrador José Arão Nataniel Chissonde ameaçou expulsar da escola um professor de Geografia, simplesmente “por ser do SINPROF e coordenador de actividades extra-escolares”. Logo de seguida, teve início a manifestação pela abolição do imposto e que apelava ao regresso da anterior direcção.
Portanto, o episódio do professor foi o gatilho de uma legítima reacção da sociedade civil, que se sentiu lesada pela tomada de decisões arbitrárias e injustificadas por parte de José Arão Nataniel Chissonde. O resultado: carga policial em excesso e sem justificação, não se conhecendo ainda todas as consequências deste acto.

LISBOA: A Propaganda da Isabelinha em Tempo de Crise

A Propaganda Isabelina em Tempo de Crise

Fonte: Makaangola/Rui Verde17 de Abril de 2016
Isabel dos Santos continua a sua saga, afanando-se na construção da imagem de uma mulher empresária que vai mudar a face de Angola. Desta vez, anunciou no Instagram que o Plano Director Metropolitano de Luanda, dirigido por ela, ganhou o prémio da British Expertise International na categoria de Melhor Projecto de Planeamento Internacional.
Em primeiro lugar, esta organização, como a própria Isabel sublinha, atribui prémios a empresas britânicas. Passo a citar: os prémios British Expertise “têm por objectivo laurear as empresas de serviços britânicas que trabalham a uma escala internacional”. Portanto, ou Isabel é agora uma empresa britânica… ou o que foi premiado foi uma empresa britânica que participa no projecto… a qual se calhar lhe pertence.
No entanto, isto não é o mais importante. O importante é referir que esta organização, a British Expertise, é uma empresa privada de consultoria e aconselhamento, especializada em criar redes de negócios, e que organiza uns jantares de black tie no Royal Garden Hotel, em Kensington, Londres, pagos a €200,00 por cabeça e regados a champanhe, no decorrer dos quais entregam prémios distribuídos por 12 categorias. Trata-se, por isso, de uma legítima empresa de negócios, que criou estes prémios como exercício de relações públicas, mas não tem o estatuto de qualquer academia ou instituto científico ou técnico.
O mais curioso é que, enquanto a 11 de Abril passado, no belo jantar chique, eram entregues os prémios em Inglaterra aos ingleses que trabalham com Isabel dos Santos, no dia 14 eram recebidos no Palácio da Cidade Alta os empresários britânicos David Wyne-Morgan e Lord Charles Vivian. Será, naturalmente, uma coincidência. Lord Vivian lidera a Bell Pottinger Geopolitical, uma empresa de relações públicas especializada em comunicação estratégica internacional.
Portanto, o que temos até ao momento é uma campanha de relações públicas muito bem montada por peritos internacionais, que visa trazer legitimidade técnica e empresarial a Isabel dos Santos. As simple as that.
Mas esta questão levanta uma outra, ligada ao Masterplan para Luanda. Afirma-se que este visa preparar uma área metropolitana para 13 milhões de pessoas na capital angolana. Ora, 13 milhões de pessoas corresponde hoje a metade da população do país. Talvez daqui a uns anos corresponda a um terço. De uma forma ou de outra, é um número absolutamente disparatado. Qualquer planeamento territorial deveria ser integrado a nível nacional e preferir a recolocação nas províncias dos refugiados de guerra que vieram para Luanda. O desenvolvimento macrocefálico de Luanda é um erro grave. As grandes cidades africanas, como Lagos ou Cairo, tornam-se repositórios de pobreza, crime e insalubridade cada vez mais difíceis de gerir. Pelo mesmo caminho irá Luanda enquanto megalópole.
A aposta em Luanda, em detrimento de uma aposta nacional, equilibrada e sustentável, é uma falha na política de ordenamento do território e na política ambiental. A riqueza de Angola está justamente na sua diversidade, na diferença de climas, no relevo, nas várias culturas e etnias, tudo unido pela língua e por um sentido histórico nacional. Qualquer projecto urbanístico deveria fugir à criação de cidades paquidermes, ao invés de as fomentar.
Portanto, a vantagem destas campanhas de relações públicas levadas a cabo por Isabel dos Santos é que chamam a atenção para os problemas e erros de planeamento estratégico. Numa cidade em que nem o lixo se consegue recolher, de que forma se pretende alojar o dobro da população?
Seria muito mais interessante ver um projecto de desenvolvimento para as Lundas, ou para o Sul do país, onde a seca está a levar ao desespero populações inteiras. Era melhor isto do que andar a brincar aos faraós em Luanda.