segunda-feira, 28 de abril de 2014

LUANDA: Angola que não Sonhei - Por Raul Diniz

Angola que não sonhei - Raul Diniz

    Luanda - Quando tomei a decisão de voluntaria de participar na luta de libertação de Angola para liberta-la do império colonial fascista em 1974, sinceramente nunca sonhei que o país descarrila-se um dia para o horripilante abismo em que estamos sitiados a mais de trinta e nove anos! É estranho, mas hoje fazendo uma introspectiva avaliação de toda caminhada que a minha mente processou até aqui, reconheço que fomos divinamente agraciados pela mão protetora de Deus por ainda estarmos vivos!

Fonte: Planalto de Malanje Rio Capôpa
29.04.2014
EXISTE UMA NARRATIVA PROFÉTICA PROFERIDA PELO PRIMEIRO PRESIDENTE ANGOLANO, O MÉDICO, O DR ANTÓNIO AGOSTINHO NETO, QUE SE CUMPRE NOS NOSSOS DIAS. DIZIA O VELHO EX-PRESIDENTE, QUE OS ABUTRES DEBICAM CADA UM O SEU QUINHÃO DE CARNE PUTRIFICADA, HOJE ESSA PROFECIA CONTINUA VALIDA, E DE QUE MANEIRA CONTINUA. COMO CONTINUA.

Rastos de carne humana continuam a ser espalhadas por todo país, essa carniça toda é proveniente dos muitos assassinatos de angolanos cometidos pelos abutres que embriagados na sua loucura assassina dizimam o povo sem receio nem temor pelas contas que lhes serão endossadas pelo Criador. Embarrigados essa espécie ruim de irascíveis canibais não conseguem debicar toda podridão de carne putrificada espalhada em toda Angola.

 É estranho, mas hoje fazendo uma introspectiva avaliação de toda caminhada de luta dos angolanos desde 1974, sinceramente reconheço o falhanço que fora o sonho de liberdade sonhado por toda nossa angolanidade hoje completamente desestruturada e estuprada as suas convicções. A situação atual em nada se diferencia daquela vivenciada por todos no passado recente da nossa histórica luta pela libertação do povo angolano do colonialismo tuga, porque na verdade o povo continua aprisionado. Porem, em relação à pobreza, a situação deu um enorme mergulho em direção a profundeza de um  abismo ainda maior e mais obscuro do que aquele que vivenciamos no tempo do colono branco.

Hoje não estaríamos aqui se não fora a mão protetora do Deus misericordioso que garantiu a nossa permanência ainda vivos aqui, para denunciarmos a fúria incontida da conduta imoral dos assassinos ao serviço do exército privado do (preto velho) presidente da republica, comandada pelo líder das matanças de angolanos, o general Manuel Helder vieira dias “Kopelipa”.  É verdadeira a afirmação que diz termos hoje em angola outro colono mais astuto, e muito mais perigoso que o antigo colono branco.

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS VIVE DENTRO DE UMA REDOMA DE VIDRO, POR ISSO ELE NÃO TEM COMO VISUALIZAR NEM COMO VIVENCIAR A VERDADEIRA REALIDADE QUE O PAÍS ATRAVESSA.
O (preto velho) chefe da oligarquia angolana não conhece a verdadeira face do estado de miséria lastimável que o povo vive. Como poderia ele conhecer a situação que o povo vive se o ele afastou-se voluntariamente do povo que o sustenta até agora no poder! Preto velho agora vive rodeado de um falso elã, que igualmente não conhece o pensamento nem o sofrimento do povo autóctone que padece de fome e miséria na nossa terra!

Na verdade, a classe dirigente evadiu-se das suas origens naturais, e, bandeou-se lá para os lados da oligarquia primitiva que governa desastrosamente a nossa terra. Essas interpostas pessoas chamadas de governantes, não têm mais nenhuma ligação umbilical com a autoctonia da nossa angolanidade bantu, esses dirigentes políticos escolheram aportar nas estações socioculturais longínquas estranhas a nossa cultura ancestral.

É pena, mas não podemos mais permitir-nos esconder-nos por detrás da mentira explicita de um suposto desenvolvimentismo que não passa de um crescimento iníquo, em que o país econômico estranhamente se afundou profundamente! Não podemos mais continuar a escamotear a excelência da verdade dos factos existenciais, nem podemos mais permitir que as muitas nações que compõem o tecido nacional do povo angolano continuem excluídos de usufruir das nossas muitas riquezas produzidas em solo nacional. É permissivo deixar o povo caminhar erradamente como tristes peregrinos vagabundos sem rumo e sem destino certo na  terra de seus ancestrais.

O DITADOR NÃO SÓ TRAIU O PROGRAMA MAIOR PRESCRITO NO IDEÁRIO DO MPLA, COMO TRAIU DA MESMA FORMA O POVO E A CONSTITUIÇÃO ATÍPICA CRIADA A SUA IMAGEM E SEMELHANÇA. ELE DECIDIU UNILATERALMENTE VIVER LONGE DOS DONOS DA TERRA.
Foi o preto velho JES, que escolheu ficar do lado da riqueza material, ele decidiu ficar do lado do petróleo e dos diamantes, JES preferiu roubar o povo a ficar do seu lado, sabemos todos da apetência de JES e sua família pela ganancia de enriquecerem facilmente, essa ganancia leva-o a roubar todos proventos financeiros derivados da venda do petróleo, dos diamantes e dos USD dólares americanos provenientes dos muitos negócios estranhos realizados pelas suas filhas e filhos e demais familiares diretos e amigos igualmente estranhos, nacionais e estrangeiros.

O presidente trocou o bem estar do povo pelo seu próprio bem estar pessoal e dos seus filhos e familiares. Ele escolheu a riqueza material e assim dessa maneira optou em maltratar, perseguir, prender corromper e assassinar todos aqueles que se opõem ao seu projetado saque de nossas riquezas. JES abandonou o povo a sua sorte, mesmo sabendo que a verdadeira e mais excelente riqueza nacional é o povo angolano que um dia lhe deu crédito e o asilou entre ele.

A mente de JES circunda hoje por conveniência pessoal em torno de uma redoma de vidro, assim, ele pode esconder-se da vergonha por não ter conseguido em trinta e quatro anos de poder totalitarista trazer a alegria e a bonança prometida ao povo sofrido. Tão pouco conseguiu materializar o programa maior do MPLA que é o de trazer o bem estar e a felicidade para todo povo angolano, JES não só traiu o ideário do MPLA como traiu povo todo e a sua precária constituição atípica feita a sua imagem e semelhança.

JES ESTÁ RODEADO DE FALSO E CÍNICO ELÃ, QUE SE ENCONTRA EM TOTAL DICLÍNIO, UM ELÃ QUE FALSEIA A VERDADE E SE COMPORTA COMO ANIMADOS DONOS DA VERDADE.
Depois de trinta e nove longos anos de termos sido tutelados por dois exímios ditadores, como é possível ainda estarmos resignadamente gratos por nos maltratarem? Como aceitamos pacificamente que homens nossos iguais nos amordaçam e menosprezem completamente a nossa vontade de querermos participar na fiscalização da administração publica do estado sem reagirmos? Mesmo depois de muitos filhos de famílias em redor de toda Angola ter sido sacrificada no dia 27 de Maio de 1977, apenas e só para que o sonho de Agostinho Neto e de seus pares se realizasse! Mesmo tendo nós o conhecimento de que uma nomenclatura ativada pela cultura da violência e do assassínio de seus adversários é completamente avessa em aceitar os preceitos validos de um estado democrático e de direito.

Ainda assim nós continuamos a falar de pacifismo acadêmico fingindo não ver o terror impregnado nos olhos dos violentados anônimos provocados pelos constantes assassinatos de almas viventes de nossos irmãos, ainda assim nós continuamos calados a sete chaves, qual a verdadeira razão para que esse medo se instale no nosso coração.
TEMOS EM ANGOLA UM REGIME DOENTIO E NECRÓFILO POR EXCELÊNCIA.
O regime não pode continuar a subsistir a custa do sofrimento do povo nem através dos cadáveres dos seus adversários políticos assassinados nas frentes politicas anti regime, desencadeadas em todo território nacional. O regime implantado em Angola é taxado como degradante e macabramente necrófilo por excelência. Pergunto a mim mesmo, como tem sido possível continuamos a coabitar com um regime tão depreciativamente mentiroso, gatuno, torturador e assassino como o de Kopelipa e JES, que mandou chacinar por puro sadismo os nossos irmãos Bacongos na chamada semana sangrenta de 1992.

Não podemos ficar mais calados sem nada fazermos para reabilitar a memoria dos nossos irmãos assassinados que tombaram numa guerra desigual imposta pelo regime de Kopelipa e JES! Não podemos esquecer os assassinatos de Cassule, Kamulingue, Ganga e todos os demais anônimos que tombam todos os dias no limite territorial das nossas muitas periferias do território assombrosamente ensanguentado! O dever de todo angolano é o de obrigatoriamente reagir em conformidade para por fim a essa escalada de guerra silenciosa, mas muito mortal, e que nos é imposta pelo governo totalitarista de Kopelipa e JES.

TEMOS QUE LEVAR A MENSAGEM AO NOSSO EX-CAMARADA JES PARA PARAR COM O EXTERMÍNIO DE ANGOLANOS POVO NOSSO, CHEGA DE ESTUPRAR A VERDADE DESGASTADA DO NOSSO PAÍS! A SITUAÇÃO NÃO PODE CONTINUAR COMO ESTA NEM MAIS UM SEGUNDO. TEMOS DE LEVAR O REGIME AO TRIBUNAL DE HAÍA URGENTEMENTE.

Se o senhor presidente ditador quiser continuar a matar, então que comece a matar os membros da família dele, pode muito bem começar a ensanguentar a sua própria casa começando pelos seus filhos bandidos e gatunos, passando pelas suas filhas infelizes ladras, os seus netos e genros estrangeiros por aí. O ditador deve urgentemente frenar o seu prazer pela matança, depois não venha amanhã dizer que não foi alertado do verdadeiro estado de sitio escabroso que os seus colaboradores instalaram ilegalmente em todo país! Para ir mais longe ainda, pergunto como foi possível sobrevivermos às matanças acontecidas de um e de outro lado da barricada aquando da sangrenta luta de libertação falsificada de Angola logo após a independência?

Nessa epopeia de contornos turbulentos interrogo-me com mais relutância, afinal o que nos falta para derrubarmos a soldadesca do ditador José Eduardo dos Santos e o apearmos definitivamente do poder? Que mais falta para apontarmos o dedo aos corruptos sem medo? O que falta para acusarmos internacionalmente o ditador e os seus cúmplices e os processarmos junto do tribunal internacional em Aia?

Desde o compulsivo regime retrogrado de partido único até chegarmos ao atual regime que nem se sabe que tipo de regime se trata, apenas sabemos que se trata de uma ditadura sangrenta disfarçada de socializante, seja qual for o nome que deem a esse regime déspota, apenas sabemos que estamos todos paiados e mal pagos se nada fizermos para inverter essa situação degradante que todos observamos a olhos nus. Sempre pensei que o aterrador momento social que vivenciamos em Angola fosse apenas acontecimentos da ficção cenográfica produzida em películas realizadas pelos melhores diretores de cinema em Hollywood City!
INTERROGAÇÃO NUCLEAR
Outra interrogação que faço a mim mesmo relaciona-se com a fatalidade de sermos tão cobardes quanto medrosos e mesquinhos, quando temos um passado de provas de coragem dadas por termos combatido o colonialista branco, e no decorrer desse tempo todo após a independência resolvemos ter medo de combater o colono preto velho Zé Dú para neutralizar as constantes injustiças praticadas contra o povo ao qual nascemos e pertencemos!
 
Sinceramente não entendo hoje a facilidade como aceitamos todas essas atrocidades praticadas pelo regime contra a nossa natureza humana! Como é possível suportar essa barbárie torturante, próprias de um regime despótico? Como podemos aceitar essas sinuosas perseguições tortuosas composta de assassinatos imemoráveis contra o nosso povo continuem? Como é possível assistirmos a tudo isso, sem nos propormos corajosamente em lutar frontalmente contra essa selvajaria adversa, para destruir o viveiro de bandidos corruptos que violam constantemente os nossos direitos constitucionais e o nosso direito a vida?
Apesar de sabermos que o comando dessa selvajaria é terminantemente valido a partir do laboratório central da masturbação politica situado na casa de segurança militarizada, nada se fez até agora para conter o ímpeto desta pratica animalesca de chacinar o negro angolano.

Sabemos que os generais e oficias operativos provenientes das secretas e do SIM, nada mais sabem fazer do que matar e mandar matar os incautos cidadãos angolanos sem nenhuma razão aparente! Esses generais corruptos e assassinos que matam sem pestanejar para manterem-se incólumes no poder, nos seus corações apenas se processa o sentimento de ódio e raiva por todos quantos se levantem, falem e lutem pela liberdade do povo e do país.
 
VERDADEIRAMENTE SONHEI COM UMA OUTRA ANGOLA MAIS JUSTA E EFICIENTE. NÃO SONHEI COM ESSE REGIME QUE REINA HÁ 39 ANOS NA MINHA TERRA!
Eu sonhei com uma Angola que possua uma agenda estratégica de desenvolvimento e crescimento econômico e social. Eu sonhei com uma angola idônea e sensata, sonhei com uma Angola solidaria, nobre e altruísta.  Eu sonhei com uma Angola defensora de politicas coerentes de sustentabilidade ambiental.

Eu sonhei com uma angola mais justa e tolerante. Eu sonho ainda com uma Angola que tenha uma balança de pagamentos ajustada a realidade que vivemos no país, Sonhei com uma Angola exitosa, desenvolta, que gere capitais de sustentação cambial externa e nos permita adequar o nosso programa de crescimento econômico e social com verdadeira realidade. Eu sonho com uma Angola onde todos tenham direitos e oportunidades iguais, onde exista de facto o direito de liberdades de ir e vir e de expressão, onde o medo seja extinto do nosso vocabulário politico e ninguém seja preso ou morto por motivos políticos.

Eu sonhei com uma Angola itinerante, moderna, pacifica benemérita onde a escravocracia seja extinta do nosso meio social. Eu sonhei com uma Angola sem exploradores nem explorados, sem fomentadores da fome, miséria nem pobreza. Eu sonhei com uma Angola que defenda e respeite os direitos humanos, que não persiga, nem prenda, não torture e muito menos assassine os seus filhos por posicionamentos politicas desencontrados. Eu sonhei com uma Angola onde o presidente ame e seja amado pelo povo.

O que não quero para Angola é a continuidade desse sinistro desconhecido presidente e da sua família de gatunos feitos empresários com a nossa bufunfa. Não desejo nem quero mais uma Angola onde a família de degenerados generais corruptos, gatunos e assassinos governem disfarçadamente os destinos dos angolanos já de si bastantes controlados. Em suma quero uma Angola sem Kopelipa, Zé Maria, Cândido Van-Dunem "Candinho" e o sinistro chefe de fila Zé Dú e o sempre e eternamente teleguiado general para toda obra Leopoldo do Nascimento "Dino".

O ATO DE CONTRIÇÃO OU A MINHA MEA CULPA, TANTO FAZ O IMPORTANTE MESMO É REPOR A VERDADE.
Um dia despertei, e soube que já era tarde para voltar atrás, mas reconheci que a Angola da qual me bati e dei a minha vida era apenas uma miragem! Reconheço a minha grande falha e com isso faço a minha “mea culpa” por ter ajudado a instalar em Angola o regime que viria a dividir o povo em angolanos, em angolanos de primeira e angolanos de segunda, regime esse que decidiu agora perseguir-m e que a todo custo ver-me morto por discordar com as suas praticas assassinas.
O sonho apenas foi atrasado, pois nunca deixei de acreditar na liberdade do meu povo, nunca deixei de sonhar com uma nação angolana uma e indivisível, onde não exista nunca mais a figura do ditador nem a do colono preto.

Hoje a maioria do povo foi mergulhada numa situação de miséria compulsiva galopante, enquanto uma só família munida de estranhos hábitos completamente desconectados das nossas realidades desnudam todos os dias o país por eles sequestrado! Sem qualquer remorso completamente determinados, açambarcam tudo que de valor o país possui. Essa cambada de bandidos do colarinho branco feitos gângsteres malvados, são dotados de uma perigosa ambição incomensurável, e sem dó nem piedade delapidam juntamente com seus amigalhaços nacionais e aliados estrangeiros toda riqueza que o país produz.

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