segunda-feira, 14 de março de 2016

LUANDA: Higinhocas do General Governador de Luanda

Higinhocas do General Governador de Luanda

Fonte: Makaangola.org/Rui Verde, doutor em Direito14 de Março de 2016
O governador de Luanda, general Higino Carneiro.
Higino Carneiro, general-empresário dos setes ofícios e mais um, empenhado agora na resolução do problema dos Montes Everestes de lixo que polvilham a paisagem de Luanda, problema que não resolveu quando esteve há frente dos destinos da metrópole há dez anos, anunciou que a capital poderá contar com mais um município, resultante da divisão dos municípios de Belas e Viana, que são os de maior território.
Nestas coisas devem julgar-se os factos, e não as pessoas. Higino tem um ar bonacheirão e decidido, mas na realidade parece andar entretido a fazer valer o seu poder, e não a resolver os problemas. Chegou a Luanda como um buldózer, demitindo vários dirigentes da cidade. Parecia o presidente Jânio Quadros do Brasil nos anos 1960, que se fazia fotografar com uma vassoura. Ia varrer tudo, tanto varreu, que acabou varrido…
Higino não pára de se exibir, desta vez num frenesim de anúncios. Diz que vai criar mais municípios. Para quê? Não é para povoar uma zona desabitada do interior, não é para centrar um movimento migratório. É apenas uma medida cosmética que vai criar mais burocracia, mais clientela. Belas e Viana já lá estão e têm problemas suficientes para aparecer ainda mais um nível de poder (pequeno poder) que lhes dificulte a vida ainda mais.
A criação de microestruturas orgânicas é um instrumento clássico de sedimentação de poder. Mas se estamos perante o reforço do poder, não estamos perante a criação de uma organização eficaz. A eficácia depende de organizações flexíveis e flat, que permitam respostas rápidas. É isso que se pede ao general Higino Carneiro, e não uma qualquer Higinhoca.
Este é de facto um problema estrutural da elite dirigente angolana. Essencialmente, é sempre a mesma elite, que levou o país à ruína e que se limita a mudar de cargo, como uma criança muda de cavalinho num carrossel em andamento. O certo é que os cavalinhos não saem do lugar…
Higino pode ter sido um bom general, um dinâmico empresário, uma pessoa afável (escusamo-nos a falar aqui dos processos obscuros em que já se viu envolvido em Angola e no Brasil), mas já queimou todos os cartuchos e não tem mais magia dentro do seu chapéu.

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