terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

LISBOA: JES Com 38 Anos no Poder e uma Fortuna Avaliada em 18,5 Mil Milhões de Euros - Sanday World



JES com 38 anos no poder e uma fortuna avaliada em 18,5 mil milhões de euros - Sunday World 

Fonte: Revista SÁBADO
Reedição: Planalto de Malanje Rio Capopa
07/02/2017
Perdoem-me, mas, eu Sou Ladrão.
Não consigo resistir roubar os meus concidadãos.
JES com 38 anos no poder e uma fortuna avaliada em 18,5 mil milhões de euros - Sunday World


Presidente de Angola desde 1979, José Eduardo dos Santos 
anunciou esta semana que não será candidato a mais um mandato. Deixa o país com 40 por cento da população na miséria e com uma fortuna avaliada em 18,5 mil milhões de euros.
Ao fim de 38 anos como Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos anunciou no final da semana que não irá candidatar-se a novo mandato nas eleições gerais que se realizam este ano, em Agosto.
Apesar de Angola ser um país rico em petróleo – com 9,5 mil milhões de barris em reservas, segundo a OPEC – e em diamantes – é o segundo maior exportador no mundo, segundo o Banco Mundial - o líder do MPLA deixa o país numa grave crise económica.
Segundo, analistas internacionais, Angola é o país africano com mais probabilidades de entrar em default, ou seja, incapaz de pagar as dívidas que contraiu, como está a acontecer com Moçambique.
O legado do segundo mais antigo Chefe de Estado em África, a seguir ao presidente da Guiné Equatorial Teodoro Obiang Nguema, deixa marcas no país. Quinze anos depois do fim da guerra civil, travada entre o MPLA e a UNITA durante 27 anos, Angola é um país com graves problemas socioeconômicos.
Apesar do rápido crescimento económico nos últimos anos, suportado pelo preço do petróleo, mais de 40 por cento dos angolanos vive abaixo da linha de pobreza, com menos de 1,7 euros por dia, segundo o The World Factbook da CIA, um almanaque sobre todos os países do mundo da agência de serviços secretos norte-americana.
Uma em cada cinco crianças angolanas não chega a celebrar os cinco anos de vida
A mortalidade infantil é das mais elevadas no mundo – um em cada cinco crianças angolanas não chega a completar os cinco anos de idade, segundo a UNICEF. A principal causa é a pobre dieta alimentar e a falta de condições de higiene que causam variadas doenças: 60 por cento da população não tem acesso a saneamento básico e 40 por cento não tem água potável.
A esperança de vida dos angolanos salienta bem as dificuldades vividas no país: 56 anos, em comparação, em Portugal a esperança de vida é de 80 anos.
José Eduardo dos Santos, com 74 anos de idade, não passou por estas dificuldades. Filho de um pedreiro imigrante de São Tomé e Príncipe, estudou no Liceu Salvador Correia, a escola das elites de Luanda, onde ingressou no MPLA, movimento que contestava o poder colonial português.
Exilou-se no país vizinho, Congo-Brassaville, em 1961, de onde parte para a União Soviética (aliado do MPLA) para estudar engenharia petrolífera. Regressou a Angola em 1970 e lutou na guerrilha como especialista em comunicações.
Em 1975 foi nomeado coordenador do departamento de Negócios Estrangeiros do MPLA e, depois da independência, em Novembro desse ano, foi nomeado ministro dos Negócios estrangeiros, do governo liderado por Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola. Quando este morreu, vítima de cancro, em 1979, José Eduardo dos Santos foi escolhido pelo MPLA para liderar o país, então em plena guerra civil.
O engenheiro, então com 37 anos, prometeu reconstruir o país, mas a guerra com a UNITA, partido apoiado pelos Estados Unidos, continuou até 2002, altura em que se alcançou a paz, após o assassínio de Jonas Savimbi, líder do UNITA.
Apesar de ter anunciado que deixaria o cargo em 2001, manteve-se na liderança do país até este ano. Entretanto abandonou a ideologia marxista que defendia e implementou uma economia de mercado no país, que se tornou no segundo maior produtor de petróleo de África e um dos mais corruptos, segundo a agência de notícias Afrol News.
Ao mesmo tempo, perseguiu os opositores. Em 2015 prendeu e acusou de rebelião 14 activistas pró-democracia, incluindo o rapper Luaty Beirão, que iniciou uma greve de fome de 36 dias. Foi libertado em Junho de 2016.
Segundo a revista Forbes, o presidente tomou controlo das principais empresas e indústrias do país. E quando isso foi tornado ilegal pelo parlamento angolano, José Eduardo dos Santos passou o controlo a um dos cinco filhos, Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África, com uma fortuna avaliada em quase 3.000 milhões de euros.
O próprio terá acumulado um património de 18,5 mil milhões de euros, segundo o  sul-africano Sunday World. 
Revista Sábado

LUANDA: A "Magia do Regime" na Defesa do PGR

A “MAGIA” DO REGIME NA DEFESA DO PGR


Era uma vez um procurador-geral da República (PGR), general de três estrelas, que tinha um terreno escondido no Kwanza-Sul. Tinha-o obtido através de um contrato de concessão do Estado, a um preço irrisório, para desenvolver atividades de enriquecimento pessoal, naturalmente incompatíveis com as suas funções públicas de alto-representante do Estado. Quando foi descoberto e divulgado o esquema através do qual o procurador obteve o terreno, surgiram em cena os mágicos do regime, para fazer desaparecer a titularidade do terreno e provar que, afinal, o procurador não tinha nenhum terreno, devendo por isso apresentar queixa contra tamanha “falsidade”.
Mas as populações locais também lêem e sabem o que se passa. Elas são as testemunhas que impedem os mágicos do regime de usar a varinha que tudo transforma consoante os seus caprichos. Elas seguem atentamente todos os movimentos securitários e outros, e podem provar que a queixa contra o procurador tem sentido.
Alguns populares decidiram mesmo reivindicar o que acham que lhes foi retirado de forma abusiva, e por isso utilizaram o referido terreno para plantar milho nos hectares ainda não ocupados.
Para acabar com todas as dúvidas e confusões sobre o terreno que o PGR adquiriu no Kwanza-Sul para construção de um condomínio privado, publicamos aqui o Título e Contrato de Concessão de Terreno assinado pelo general João Maria Moreira de Sousa, o PGR. Omitimos, com um borrão, o número do seu Bilhete de Identidade e endereço residencial. Depois, confrontaremos as entidades que procuram a todo o custo adulterar os registos oficiais.
 

LUANDA: Reforma dos Generais: Dos Santos Começa a Limpar a Casa

REFORMA DOS GENERAIS: DOS SANTOS COMEÇA A LIMPAR A CASA


O presidente José Eduardo dos Santos deverá reunir, nos próximos dias, o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, pela primeira vez em mais de dois anos.
A reunião deverá abordar propostas para os cargos de ministro da Defesa, de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, de chefe de Estado-Maior do Exército, dos comandantes das regiões militares, assim como de outros postos importantes do exército.
Segundo fonte do Maka Angola, o encontro servirá também para dar seguimento ao processo de reforma dos generais. Na reunião do Bureau Político do MPLA no passado dia 30 de Janeiro, José Eduardo dos Santos manifestou o seu interesse em passar à reforma alguns generais no activo que são da sua inteira confiança, de modo que o seu sucessor tenha condições para preparar a sua equipa.
José Eduardo dos Santos referiu-se especificamente aos casos do chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, do chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general Zé Maria (o mais velho com 74 anos); do chefe da Unidade de Guarda Presidencial (UGP), general Alfredo Tyaunda; e do chefe da Unidade de Segurança Presidencial (USP), general José Maua.
No seguimento da notícia da reforma do comandante-em-chefe, que em Setembro completa 38 anos no poder, houve claros sinais de alívio vindos do seio do exército. Contrariamente aos temores iniciais, as primeiras ilações dos meios competentes acerca do estado de opinião no exército indicam que há um sentimento de apoio generalizado ao anúncio de reforma do comandante-em-chefe, desde os soldados ao generalato.
Segundo fontes palacianas, após a reunião, o presidente deverá seguir para Espanha, para retomar os seus tratamentos médicos, que interrompeu em Novembro passado, por ocasião da morte do seu irmão mais velho, Avelino dos Santos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

LUANDA: Na Hora do Adeus, Camarada Presidente

NA HORA DO ADEUS, CAMARADA PRESIDENTE


É com enorme sentimento de esperança que lhe escrevo novamente para, em primeiro lugar, felicitá-lo pela sua decisão de se reformar da presidência da República de Angola, após 38 anos de poder.
Muitos se interrogam sobre as razões que terão pesado na sua decisão. Desde especulações sobre o seu estado de saúde, a vontade pessoal, o esgotamento da sua imagem por causa dos escândalos de corrupção e incompetência do seu governo, a falência das suas políticas económico-sociais. Seja como for, a verdade é uma, camarada presidente: a decisão é acertada e deve representar um grande alívio para si, assim como para todos os angolanos de bem que aspiram à mudança e a uma nova liderança.
Mas é de esperança que devemos falar. Conto-lhe uma breve conversa que tive a caminho do aeroporto, em Joanesburgo, com o taxista zimbabweano. Falou-me do seu anúncio como algo positivo que deveria inspirar o seu presidente, Robert Mugabe, de 93 anos, a seguir o mesmo caminho. Na lista dos presidentes longevos, liderada pelo da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, com mais um mês no cargo do que o camarada presidente, Robert Mugabe é o terceiro. Ao optar voluntariamente pela sua saída, o camarada presidente acaba de tornar-se um exemplo entre os ditadores. É um mérito. Oxalá o sigam.
Acredito que, nos meses que lhe restam enquanto presidente, o camarada tomará algumas decisões destinadas a limpar e a arrumar um pouco o seu governo, para que o seu sucessor encontre uma casa com certa ordem.
Um dos pontos que mais tem desgastado a sua imagem e que exige atenção urgente é a partilha do poder com os seus filhos. Aproveite para criar também um ambiente de humildade e segurança no que diz respeito à sua família, tomando a decisão de demitir, também voluntariamente, os seus filhos José Filomeno do Santos da presidência do Fundo Soberano, e Isabel dos Santos da Sonangol. Isso teria um significado muito importante, prenunciando o fim do nepotismo. O seu sucessor e respectivo governo não seriam tentados a seguir as más práticas do passado, e a sociedade tornar-se-ia mais exigente na demanda pela transparência, integridade e boa conduta dos dirigentes.
Ademais, seria sem dúvida um imenso alívio para os seus filhos, que, livres desses encargos oficiais, poderiam então dedicar-se a gozar as suas fortunas. De outro modo, estarão sob maior pressão pública, porque serão vistos como a continuidade do poder do seu pai, e terão de prestar contas, independentemente da protecção que o próximo presidente lhes possa oferecer, por obediência, lealdade, respeito ou temor a si.
Não basta o seu anúncio de saída, camarada presidente, para garantir o seu estatuto pós-presidencial: pode e deve tomar medidas simbólicas demonstrativas de que está a arrumar a casa para o próximo inquilino. Valoriza-o a si e deve ser parte do seu legado.
Camarada presidente, tenho sido um crítico acérrimo do seu poder, pelas consequências que tem infligido no desvario da corrupção e na violação sistemática dos direitos humanos.
Mas o que mais ressinto, como ser humano e cidadão angolano, é o modo como o seu regime depauperou os angolanos excluídos dos privilégios ou da protecção do seu poder, negando-lhes dignidade enquanto indivíduos.
Incontáveis vezes me sinto isolado, hostilizado e humilhado por lutar pelos direitos dos meus concidadãos e por um governo que os sirva com honestidade e devoção. Sinto por vezes como se estivesse a cometer um crime. Por essa luta, alguns dos seus acólitos, como o embaixador António Luvualu de Carvalho, chegaram a apodar-me publicamente de traidor, de vende-pátria. É irónico: os que roubam e desgraçam Angola, em conluio com parceiros estrangeiros e escondem as riquezas do país no exterior, passaram a ser os grandes patriotas.
Confesso que, em determinada altura, dormia mais do que devia por exaustão e via bastante televisão como anestesia, mas nunca perdi a esperança e o norte. A sua saída oferece a melhor oportunidade histórica para afirmar a cidadania e libertar a mentalidade colectiva dos angolanos dos traumas da violência política, da humilhação dos predadores, do jugo da propaganda, da mentira, da repressão e da falsa ideia de que só a corrupção enriquece o homem. Hoje, orgulho-me de fazer a diferença.
É pelo triunfo da cidadania que continuarei a lutar, desta vez sem mais reservas e receios, porque não podemos deixar escapar esta oportunidade de contribuirmos para uma Angola em que o bem-estar do cidadão seja o foco das prioridades do novo governo. Falhámos em 1975 (independência unilateral), em 1992 (guerra pós-eleitoral) e, com a paz de 2002, vimos os recursos do país servirem para a acumulação primitiva de capital por parte dos dirigentes, familiares e parceiros de negócios. Hoje temos um Estado falido, vivemos de aparências, medos e ódios incubados.
Camarada presidente, mais uma vez, saúdo-o pela sua corajosa decisão de permitir aos angolanos um novo começo. Adeus, camarada presidente. Votos sinceros de longa vida.
Pela transformação de Angola, lutemos pela cidadania.

LUANDA: Roménia Devia Aprender Com O Regime Do MPLA

ROMÉNIA DEVIA APRENDER 
COM O REGIME DO MPLA


crime

O Governo da Roménia aboliu hoje formalmente o decreto que aliviava a punição dos delitos de corrupção, na origem dos maiores protestos no país desde a queda do regime comunista, em 1989. No regime angolano, pelo que tem demonstrado ao longo dos últimos 41 anos, a corrupção tem os dias contados. Como? Vai deixar de ser crime.

“Se há corrupção, se há desvios, naturalmente não podemos ter paz autêntica”, afirmou Ximenes Belo que recebeu o Prémio Nobel da Paz conjuntamente com José Ramos-Horta. Embora se estivesse a referir a Timor-Leste, a afirmação aplica-se a qualquer país, desde logo a Angola que é um paradigma mundial da corrupção.
Essa peregrina ideia de querer pôr, em Angola, os corruptos a – supostamente – lutar contra a corrupção é digna dos bons alunos do regime angolano que, aliás, aprenderam com os exímios professores portugueses.
O suposto combate à corrupção em Angola apresenta resultados que situam abaixo de zero, o que pode ser entendido como normal num reino unipessoal. Essa peregrina ideia de, oficialmente, se chamar em vias de desenvolvido ao reino esclavagista de sua majestade o rei José Eduardo dos Santos, tem piada, tal como tem falar-se (nada mais do que isso) de corrupção.
Apesar dos “esforços”, traduzidos na produção de legislação para os papalvos angolanos verem, muitas das novas leis estão viciadas à nascença, com graves defeitos de concepção mas emblematicamente eficazes, como é o caso da Lei Probidade Pública.
Se em países desenvolvidos o combate à corrupção está enfraquecido por uma série de deficiências resultantes do facto de, na sua génese, faltar uma estratégia nacional de combate a esta criminalidade complexa, em países como Angola em que o clã monárquico representa quase 100% do Produto Interno Bruto, a corrupção tornou-se uma instituição nacional.
Assim, em Angola o sistema estimula os donos do poder para que, à boa maneira mafiosa, a corrupção medre e domine um reino esclavagista.
Goste-se ou não, o governo do reino de sua majestade José Eduardo dos Santos nunca aceitou estabelecer, objectivamente, uma política de combate à corrupção. O que tem feito é mascarar, criminosamente, a sua mafiosa actuação com leis que não se cumprem mas que – é claro – servem para propagandear a tese de que Angola é um Estado de Direito.
Mas do que é que estávamos à espera? Que os corruptos lutassem contra a corrupção que, aliás, é uma das suas mais importantes mais-valias?
Acresce que as iniciativas da sociedade civil, e até mesmo dos partidos da oposição, não travam a corrupção. Mas será que, no caso dos partidos, eles estão mesmo interessados em acabar com a corrupção? A dúvida permanece e, na sociedade civil, cresce a ideia de que – afinal – são todos fuba do mesmo saco.
De facto, a oposição política tem demonstrado fraca (às vezes nula) capacidade para acompanhar quer os processos de produção de legislação, quer a sua implementação. Neste caso a passividade, omissão ou cegueira é também (ou deveria ser) crime.
No nosso sistema político-partidário existe uma total irresponsabilidade dos eleitos face aos eleitores, e -convenhamos – as promessas de combate à corrupção acabam na prática por se transformar em acções que permitem o branqueamento de capitais, o nepotismo e verdadeiros manuais de como facilitar a corrupção.
Em matéria de ética, estes factores resultam na falta de honestidade para com os cidadãos e pela falta de sancionamento das irregularidades praticadas pelos políticos, sejam os que estão no poder há quase 41 anos ou os que mais recentemente chegaram à ribalta.
Para acabar com esta realidade, deveria haver uma fiscalização da parte do Parlamento. Mas como é que isso é possível se a Assembleia Nacional é ela própria um profícuo alfobre de corrupção? E nem sequer vale a pena falar em registo de interesses de deputados e membros do Governo e do alargamento do regime de incompatibilidades aos membros que integram os gabinetes governamentais.
De vez em quando os angolanos, seja por via directa ou não, resolvem falar de corrupção. Quase sempre, neste como em outros assuntos, apenas mudam as moscas…
Os angolanos são, na generalidade e em teoria, contra a corrupção, mas no dia-a-dia acabam por pactuar. Continuamos sem saber como é que se pode ser contra algo que, em sentido lato, já é uma “instituição” que no nosso caso tem 41 anos de vida. Falha nossa, certamente.
Ao nível simbólico, abstracto, toda a gente condena a corrupção, mas ao nível estratégico, no quotidiano, as pessoas acabam por pactuar com a corrupção, até nos casos mais graves, de suborno.
Não sabemos (isto é como quem diz) o que se chamará ao facto de quando alguém se candidata a um emprego lhe perguntarem se pertence ao MPLA. Será corrupção? E quando dizem que se fosse filiado no partido teria mais possibilidades? Ou quando se abrem concursos para cumprir a lei e já se sabe à partida quem vai ocupar o lugar?
A estrutura de poder em Angola é, basicamente, a estrutura de poder de Oliveira Salazar. É uma estrutura que se mantém e nos asfixia.
E quem tem força para contrariar o sistema sem, quando der por isso, estar enredado dos pés à cabeça, encostado à parede, com a vida (para já não falar do emprego) em perigo?
Afirmar que os níveis de corrupção existentes em Angola superam tudo o que se passa em África, conforme relatórios de organizações internacionais e nacionais credíveis, é uma verdade que a comunidade internacional reconhece mas sem a qual não sabe viver.
Aliás, basta ver como os políticos (António Guterres é o mais recente exemplo) e as grandes empresas internacionais investem forte no clã Eduardo dos Santos como forma de fazerem chorudos negócios… até com a venda limpa-neves.
Com este cenário, alguém se atreverá a dizer ao dono do poder angolano, José Eduardo dos Santos, que é preciso acabar com a corrupção?
Cremos, contudo, que a corrupção pode continuar ser uma boa saída para a crise angolana. Isto porque, como demonstraram os empresários portugueses e angolanos, é muito mais fácil negociar com regimes corruptos do que com regimes democráticos e sérios.
Por alguma razão, sendo Angola um dos principais fornecedores petrolíferos dos Estados Unidos da América, ninguém verá Donald Trump olhar para os caixotes do lixo de Luanda dos quais se alimentam muitos e muitos angolanos. São 20 milhões a viver na pobreza.
Quanto ao povo, Luanda está (continua a estar) no bom caminho. Ou seja, pôr os angolanos a aprenderem a viver sem comer.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

LUANDA: Cleptocrata? Desde Sempre. Patriota? Talvez em... 2050

CLEPTOCRATA? DESDE SEMPRE. PATRIOTA? TALVEZ EM… 2050


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Como um, no mínimo, mau patriota, José Eduardo dos Santos é uma vez mais o grande protagonista de uma farsa marcante da história do MPLA e, para mal dos nossos pecados, também de Angola. Os seus acólitos falam de transição política, mas a verdade é que se trata de uma jogada que nos dará mais do mesmo e em que, de facto, nem as moscas mudaram.

Por Orlando Castro
José Eduardo dos Santos assumiu as rédeas do poder ainda jovem. Aos poucos, com as feridas dos massacres que o MPLA levou a efeito no 27 de Maio de 1977, foi construindo a sua cleptocracia e, no âmbito dessa estratégia, tornou o país num estado esclavagista.
Por alguma razão, 41 anos depois da independência e 15 após a paz total, o legado que José Eduardo dos Santos nos deixa (se é que vai mesmo deixar) é um país que lidera o ranking mundial da corrupção e que é líder destacado da mortalidade infantil em todo o mundo.
O “querido líder”, o “escolhido de Deus”, o mais alto representante de Deus na terra, José Eduardo dos Santos, continua assim a gozar com os angolanos. Ainda não há muito tempo, morriam por dia no Hospital Pediátrico de Luanda mais de 20 crianças. Na morgue não havia espaço para mais corpos. Os que chegavam iam sendo postos em cima dos outros!
A envergadura de estadista estratosférico é tal que, presumivelmente, a Coreia do Norte prepara-se para instituir o dia 28 de Agosto (dia do seu nascimento) como “Dia Internacional Eduardo dos Santos”. Homenagens similares estão previstas para as maiores democracias do mundo, começando no Zimbabué, passando pela Arábia Saudita, China, Cuba, Irão e Guiné Equatorial e terminando na Síria. Por confirmar está o Estado Islâmico.
O Financial Times explicou, tal como o Folha 8 tem feito ao longo dos últimos 22 anos, as razões que justificam que Eduardo dos Santos seja o paradigma dos paradigmas da política internacional. Nunca é demais relembrá-las, numa humilde contribuição da nossa parte enaltecer o desempenho do presidente.
1 – Angola é uma cleptocracia (regime político corrupto) e os seus dirigentes são uma elite indiferente ao resto da população. É por isso que, como escreve Ricardo Soares de Oliveira no livro “Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War”, o Ocidente adora um cleptocrata.
2 – Mesmo pelos padrões dos Estados petrolíferos, Angola é quase risivelmente injusta. Os oligarcas deixam gorjetas de 500 euros nos restaurantes da moda em Lisboa, enquanto cerca de uma em cada seis crianças angolanas morrem antes de terem cinco anos.
3 – Esta pequena, mas poderosa, cleptocracia é aceite como uma parte integrante do sistema ocidental, sendo os expatriados que fazem a economia angolana mexer, desde as consultoras que ajudam a definir a política económica até aos bancos que financiam os negócios do clã Eduardo dos Santos.
4 – Os oligarcas angolanos habitam a economia do luxo global das escolas públicas britânicas, dos gestores de activos suíços, das lojas Hermès, etc..
5 – A clique dirigente consiste largamente numas poucas famílias de raça mista da capital, que considera que os cerca de 21 milhões de angolanos negros no mato ou musseques são imperfeitamente civilizados, e com pouco desejo para os educar.
6 – Por trás de cada magnata angolano há uma equipa de gestão maioritariamente portuguesa que não se preocupa com as consequências da sua gestão. Por isso os estrangeiros bombam petróleo, fazem luxuosos vestidos e constroem aeroportos sem sentido no meio do nada.
7 – Os membros do clã Eduardo dos Santos fazem luxuosas viagens à Europa e passeios entre capitais europeias recorrendo a aviões a jacto.
8 – O dinheiro dos governantes e o dinheiro do Estado é a mesma coisa. Todo ele é roubado ao Povo. Mas como o dinheiro não fala, empilham-no nos bancos da Europa (e não só) e gastam-no como lhes dá na real gana: compram quadros, cirurgias plásticas, casas de praia e empresas.
9 – O perfil do cliente de elite angolano em Portugal, que representa mais de 40% do mercado de luxo português, revela que se trata sobretudo de homens, empresários do ramo da construção, ex-generais ou com ligações ao governo. Vestem Hugo Boss ou Ermenegildo Zegna. Compram relógios de ouro Patek Phillipe e Rolex. Do outro lado estão 70% de angolanos. O seu perfil é: pé descalço, barriga vazia, (sobre)vive nos bairros de lata.
10 – Esses angolanos de primeira não olham a preços. Procuram qualidade e peças com o logo visível. É comum uma loja de luxo facturar, numa só venda, entre 150 e 300 mil euros, pagos por transferência bancária ou cartão de crédito.
11 – Por outro lado, no país dos angolanos de segunda, 45% das crianças sofrem de má nutrição crónica e uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.
12 – Na joalharia de luxo, os angolanos de primeira (todos afectos ao regime) também se destacam, tanto pelo valor dos artigos que compram como pela facilidade com que os pagam. Chaumet, Dior e H. Stern? Sim, pois claro. O preço não é problema. Quanto mais caro melhor. Comprar uma pulseira por 200 mil euros é como comer um pires de tremoços.
13 – Em Angola o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.
14 – Refeições? Que tal trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005?
15 – Quanto ao Povo, a ementa dessa subespécie é fuba podre, peixe podre, panos ruins, 50 angolares e porrada se refilarem.

LUANDA: Mais Vale Tarde...

MAIS VALE TARDE…


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O anúncio da não recandidatura de José Eduardo dos Santos à Presidência angolana peca por tardia, “mas pelo menos vai de próprio pé”, diz o activista angolano Luaty Beirão. João Lourenço é o general que se segue se, entretanto, o presidente não mudar de ideias e as eleições se realizarem mesmo.

“Não consegui ficar empolgado com a notícia do José Eduardo, apesar de estar muito satisfeito que ele tenha conseguido sair de própria iniciativa e evitado o triste ‘cliché’ africano”, disse Luaty Beirão, que considera que anúncio “já vai tarde, mas pelo menos vai de próprio pé”.
O presidente do MPLA, Titular do Poder Executivo e chefe de Estado (há 38 no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito), José Eduardo dos Santos, anunciou sexta-feira que não irá recandidatar-se ao cargo de Presidente da República nas eleições gerais deste ano, deixando assim o poder em Angola ao fim de 38 anos.
O anúncio foi feito na abertura dos trabalhos da reunião do Comité Central do MPLA, que serviu para aprovar as listas de candidatos a deputados nas eleições previstas para Agosto.
Apesar de não integrar as listas, José Eduardo dos Santos foi eleito em Agosto último para novo mandato como presidente do MPLA e anteriormente ainda, em Março, anunciou que pretendia deixar a vida política em 2018.
No discurso de sexta-feira, José Eduardo dos Santos anunciou – o que aconteceu pela primeira vez publicamente – que já está aprovado o nome do vice-presidente do partido e ministro da Defesa, João Lourenço, para cabeça-de-lista do MPLA às próximas eleições gerais, e candidato a Presidente da República.
“Não conheço suficientemente o João Lourenço para acreditar que alguma coisa irá mudar com este MPLA de jurássicos com os seus enormes e farfalhudos rabos-de-palha. Não creio que os chame para um baile colectivo ‘à volta da fogueira’ para mostrar a todos ‘o que custa a liberdade’. Adoraria estar errado”, considerou.
Luaty Beirão foi um dos 17 activistas detidos em Junho de 2015 por estarem juntos a ler e a debater o conteúdo do livro de Gene Sharp “Da Ditadura à Democracia”, tendo sobrevivido a duas greves da fome, uma das quais de 36 dias.
Os activistas foram condenados a penas de prisão efectiva entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses, por supostos e nunca provados actos preparatórios para uma rebelião e associação de malfeitores e libertados a 29 de Junho de 2016 por decisão do Tribunal Supremo, que deu provimento ao ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa, pedindo que aguardassem em liberdade o resultado dos recursos da sentença da primeira instância.
Foram depois abrangidos por uma amnistia, prevista numa lei aprovada pelo Parlamento angolano.
Em Novembro do ano passado, Luaty Beirão esteve em Genebra, onde falou à Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as detenções arbitrárias de que foi vítima recentemente, juntamente mais 16 companheiros, detenção mundialmente conhecido como «caso 15+2».
Luaty participou numa reunião organizada pelo Grupo de Trabalho Sobre Detenções Arbitrárias da ONU, em celebração do 25.º aniversário do grupo, e que teve como lema: “Ninguém pode ser submetido a detenção arbitrária, detido ou exilado”, citação do artigo 9 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ao longo da sua exposição, Luaty Beirão, que foi convidado pela Amnistia Internacional em representação dos 17 activistas presos e condenados pelo regime angolano, disse ao Folha 8 que relatou aos membros do grupo de trabalho a “arbitrariedade total e completa do nosso processo desde a detenção até a condenação”.
Lembrando o sofrimento que passou com os seus “16 compatriotas”, Ikonoklasta, como também é conhecido nas lides musicais, disse aos presentes que a detenção aconteceu “sem mandato e sem observância da lei em vigor”.
“Só a força da estupidez combinando músculo, arrogância e grande ignorância em sua obediência cega a quem nós crescemos acostumados a chamar de ´Ordens superiores´, uma entidade nunca identificada, muitas vezes comparado ao próprio Deus, que é colocada acima da Constituição angolana”, afirmou Luaty durante a sua intervenção.
Segundo a nota do grupo de trabalho na página da ONU, “todos os países estão confrontados com a prática da detenção arbitrária”. As Nações Unidas avançam também que, “a cada ano, milhares de pessoas estão sujeitas a detenção arbitrária”. E as razões das detenções frequentemente são “simplesmente porque eles têm exercido um dos seus direitos fundamentais garantidos em tratados internacionais tais como o seu direito à liberdade de opinião e de expressão, o direito à liberdade de associação, o direito de sair e entrar do próprio país, como proclamado na Declaração Universal dos direitos humanos”.