quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

BANGKOK: Imagens da princesa da Tailândia consideradas de apoio á oposição

Imagens de princesa da Tailândia consideradas de apoio à oposição

Família real parece cada vez mais dividida na crise política – príncipe herdeiro é próximo do Governo.
Manifestantes da oposição congratularam-se com o que foi percebido como um apoio da mais jovem princesa da Tailândia
 NIR ELIAS/REUTERS
O Rei Bhumibol é o garante de unidade da Tailândia e todos têm medo do que poderá acontecer quando o monarca, de 86 anos e saúde frágil, morrer. A crise política que começou em Novembro exacerbou esse medo, mas o papel da monarquia é pouco discutido.
Nesta crise, os apelos à calma feitos pelo monarca não tiveram, para já, grande sucesso. Morreu uma dezena de pessoas e mais de 600 ficaram feridas em confrontos nas manifestações de contestação ao Governo. “O rei está frágil, o palácio não parece estar unido, e alguns membros da realeza parecem estar a alinhar abertamente com os manifestantes anti-governo”, disse à revista Time David Streuckfuss, um académico a viver na Tailândia.
 
A mais fortes atitude interpretadas como uma tomada de posição foi a publicação, pela princesa Chulabhorn Mahidol, a filha mais nova do Rei Bhumibol, de fotografias suas numa rede social. As fotografias mostram a princesa com fitas da cor da bandeira da Tailândia no cabelo e com uma pulseira com azul, branco e vermelho. As cores da bandeira têm sido usadas pelo movimento de oposição ao Governo da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, e o seu uso pela princesa foi interpretado por analistas como um sinal de apoio à oposição.
 
“Foi visto como uma declaração de guerra”, disse um analista político próximo do Governo ao diário britânico The Independent. “Ela quis mostrar que estava do lado da oposição”, concordou o professor Patrick Jory, da Universidade de Queensland, Austrália.
 
Há quem defenda que a crise política no país tem, entre várias outras causas, um factor de intriga palaciana: a luta pela sucessão. São especulações, porque tudo o que diz respeito à sucessão não é falado abertamente na Tailândia, tanto pela reverência ao rei como pelas leis de crime de lesa-majestade. A revista Economist, por exemplo, já viu negada a distribuição na Tailândia por ter publicado artigos que discutiam questões reais e a sucessão do rei.
 
O príncipe herdeiro, Maha Chakri Sirindhorn, é visto com desconfiança pela população, que não vê com bons olhos o seu estilo de playboy e seu gosto pelo luxo – muitos preocupam-se também com a proximidade entre este e o antigo primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, irmão de Yingluck Shinawatra. Segundo a oposição, é Thaksim quem controla de facto o Governo desde o exílio em que se encontra depois de ter sido acusado por corrupção – a contestação actual começou aliás por ser um protesto contra uma lei de amnistia que permitiria o regresso de Thaksim, lei que foi entretanto retirada.
 
Muitos dentro do palácio preferiam que fosse a princesa Maha Chakri Sirindhorn a suceder ao rei, e a princesa que publicou as imagens será desta facção.
 
“As velhas elites nunca se preocuparam com a democracia”, diz Andrew MacGregor Marshall, jornalista e autor de um livro sobre a crise na Tailândia prestes a ser publicado.  O Parlamento tem o papel de aprovar a sucessão, assim, a facção que dominar o Parlamento pode ter uma hipótese de ganhar a batalha pelo trono que, para além do poder, envolve um património de mais de 21 mil milhões de euros, segundo uma estimativa da revista Forbes.
 
Numa altura em que o tribunal constitucional decretou que não houve irregularidades nas eleições legislativas realizadas no início de Fevereiro – esperando-se uma derrota para a oposição – o gesto da princesa foi saudado por manifestantes da oposição.
 

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